Um relatório que indica o índice da felicidade mundial de 2013 coloca o Brasil em 24º lugar neste ranking liderado pela Dinamarca, que desponta como a nação mais feliz do planeta. Os critérios para determinar o grau de felicidade dos cidadãos destes países vão desde o PIB e a liberdade de escolhas até questões relacionadas à generosidade, existência ou não de corrupção e saúde mental. O mais curioso é que, entre as 10 nações mais felizes do mundo, apenas três delas são as mais ricas.
Isso comprova que a qualidade de vida, a alegria, a motivação e a felicidade do ser humano não têm ligação direta com o dinheiro e a riqueza que circula no local onde as pessoas vivem. Embora a questão financeira possa ajudar em muitos aspectos, ela não aparece como um quesito fundamental, determinante do quanto cada um vai ser feliz.
O jornalista David Coimbra comentou, em crônica recente, que para se ter uma vida boa não é preciso muita coisa. Basta morar numa cidade bonita, que nos faça bem. Ele se referia, mais especificamente, ao Rio de Janeiro, onde basta um calção, um chinelo e R$ 20,00 para curtir as lindas praias da Cidade Maravilhosa.
Eu acrescentaria que nem precisa ser o Rio de Janeiro, mas qualquer lugar junto ao mar, à natureza ou que ofereça aos seus moradores o básico para que eles se sintam bem e tenham orgulho de circular pela cidade que escolheram para viver, com muito ou pouco dinheiro no bolso. E isso não exige construções luxuosas, parques monumentais, obras faraônicas. O belo está nas flores, na limpeza das ruas, nas calçadas e fachadas dos prédios que contam a nossa história, na menina que passa de bicicleta, no calçadão à beira-mar, naquela árvore centenária que nos abriga para o chimarrão no final da tarde.
A beleza de uma cidade pode se manifestar no pôr-do-sol, na amizade que resiste aos anos, no gesto solidário de auxiliar o vizinho a carregar as compras do supermercado, na gratidão, no reconhecimento do outro como espelho de si próprio. A felicidade é fruto disso tudo e das opções que podemos fazer para tornar a vida mais colorida, independentemente do saldo na conta bancária. Uma vida boa, certamente, com todas as dificuldades que possam surgir, porém amenizadas pelo olhar compassivo e amoroso de quem sabe ser feliz com o que há, com o que existe, com o que tem.
Aos eternos insatisfeitos, resta a busca sem fim. Não há lugar no mundo que contente uma geração cada vez mais intolerante com a frustração, com o imperfeito, com o humano, com o demasiadamente humano. Para esses, a vida não anda tão boa assim, embora alimentem a crença da felicidade comprada em shoppings, ilusão mensurada pelo saldo bancário ou pela marca do calção com que desfilam na praia, a mesma praia que qualquer um pode desfrutar, feliz ou não, dependendo da vida que se leva ou do que se leva dela.
Esta postagem foi publicada em 19 de setembro de 2013 e está arquivada em Paralelas.


