Conte um pouco sobre seu envolvimento com o teatro.
Quando eu tinha 12 anos, todas as terças-feiras a prefeitura cedia uma professora de teatro para que realizássemos uma oficina aqui na biblioteca, quando esta ainda era em nossa casa. Ali comecei a me interessar pela área. Depois que não aconteciam mais as oficinas, fiquei sabendo pela Rádio Taquara que a Sabrina (hoje coordenadora do Cheiro de Chuva) estava procurando interessados em atuar para montar uma companhia e resolvi me dar a oportunidade. Isso foi a quatro anos e gosto demais do que eu faço e, inclusive, só não cursei artes cênicas pelas dificuldade atuais de mercado.
Fale um pouco sobre seu envolvimento no Lar.
Há algum tempo, eu trabalhava em escolas de educação infantil e recebi algumas propostas do presidente do Lar para integrar a equipe, dar oficina às crianças. No princípio não aceitei, pois era um grande desafio, uma realidade com a qual não estava habituada, mas, depois, optei por aceitá-lo. Aos poucos fui pegando o jeito e ganhando a confiança das crianças, comecei a dar oficina de teatro e reforço escolar e me encantei com o trabalho. Aos poucos, a gente acaba se tornando meio que uma mãezona para as crianças, sabe como eles estão na escola, suas notas, se estão tomando seus remédios, de banho tomado, envolvidos em alguma atividade, é um contato intenso. Adoro quando eles me chamam de tia, pois isso mostra que há um vínculo entre nós, como em uma família.
O que é o mais gratificante no trabalho realizado no Lar?
O reconhecimento das crianças para nós, educadores. Às vezes elas até disputam um abraço e nossa atenção, dizem que estão aprendendo com a gente e que isto está mudando algo na vida delas. Isso é muito bom.
E para a biblioteca, quais são os principais projetos?
Queremos fazer oficinas para atender o contraturno escolar, sobre esportes, informática, música, teatro, dança. Queremos fazer tudo dentro da própria biblioteca e, no ano que vem, queremos concluir a construção de nosso teatro, nos fundos da Amigos do Livro. O espaço terá capacidade para abrigar cerca de 90 pessoas e vamos fazer uma sala multiuso, para isso, teremos cadeiras fixas e móveis. Desejamos que o teatro tenha a mesma aceitação da comunidade que teve a biblioteca. Através dela, vimos sonhos se tornarem realidades, conseguimos mudar um pouco do cotidiano de muitas pessoas, vimos pessoas que antes não queriam nem terminar o ensino fundamental, ir para uma faculdade.
Como você se define?
Não me prendo a nada que me defina, pois agimos conforme a situação. Sou abraços, sorrisos, preguiça e sono. Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer.
O que a família significa para você?
É tudo. O melhor presente que Deus me deu.
Um livro: Trem-Bala, crônicas de Martha Medeiros.
Um filme: A vida é bela.
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, dance, chore, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.”
Charles Chaplin


