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Publicado em 17/07/2020 15:07 Off

Cactos dão flores?

Nunca me importei com flores e quando, finalmente, me interessei por elas, descobri que “não levava jeito para a coisa”. Matei uma porção de plantas por falta de água ou luminosidade; e outra porção, considerável, afogada. Eu era um desastre, até me apresentarem aos cactos. As plantas, nativas das Américas, foram as únicas que se adaptaram ao meu “dom” de sementeira – com regas extremamente calculadas: nos momentos em que eu me lembrava delas.

O tempo passou e algumas espécies, simplesmente, ganharam meu coração. De certa forma, me identifiquei com as plantinhas – verdes, sem floração e, não por acaso, cobertas de espinhos. Qualquer semelhança, não seria mera coincidência.

Os cactos me ensinaram, obviamente, sem palavras, que nosso crescimento não depende exclusivamente da maneira com que somos “cultivados”. O segredo está muito mais relacionado à nossa capacidade de adaptação; ao exercício da resiliência.

Mas há ainda uma questão muito significativa sobre essas plantas: todas elas florescem! Levei tempo para descobrir, e fiquei encantada com a primeira floração de um de meus “bebês espinhentos”, que simplesmente aconteceu. Depois do episódio, todos os outros cactos lá de casa floresceram, e hoje eu sei que não é algo raro. Mas, em meio aos espinhos, as flores encantam e intrigam a todos que nos visitam.

O segredo? Não é tão secreto assim. Os cactos só precisam estar em condições ideais para isso (risos). Em resumo, expostos à luminosidade direta do sol, em vasos de tamanho adequado e cultivados com o substrato ideal. A beleza dos cactos reside em sua essência. As plantas se desenvolvem em regiões áridas, de temperaturas escaldantes. Mas, além disso, florescem. Entregam tudo de si, em meio ao deserto!

E nós, quais desculpas arrumamos para nos limitarmos aos nossos espinhos, quando a natureza testemunha amor? Um cacto pode pertencer à família mais espinhenta que for, mas, em condições adequadas, floresce. Um cacto, por si, só não pode se colocar em condições adequadas para isto – nós, sim!

Lembro-me bem do dia em que escolhi o curso e decidi prestar vestibular. As críticas foram as mais diversas e, “mesmo que eu concluísse a grade curricular, jamais arranjaria um emprego na área, e aqui na região”. Meus textos eram dignos de piedade; descobri o que era um lead já na metade do primeiro semestre. Troquei dias no escritório de advocacia em que eu trabalhava para ser voluntária na redação de um jornal; desenvolvi algumas alergias e doenças, em virtude da má alimentação, para dar conta da rotina de trabalho e estudos.

Hoje, em cada texto que escrevo, floresço.

Talvez, minha natureza também represente muitos espinhos. Mas, eu decidi que independente do que me disserem; ou do lugar em que me colocarem, assim como os cactos, eu sempre terei a capacidade de florescer. Até porque – graças a Deus – eu posso muito bem levantar o bumbum da cadeira, articular minhas pernas e pés, e construir condições adequadas para isto.

Não desista das estações que mais exigem de você. Em meio ao deserto alguém pode estar se inspirando em seu testemunho de amor. Escolha florescer!

Jéssica Ramos
Jornalista de Taquara
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