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Esta postagem foi publicada em 5 de abril de 2019 e está arquivada em Tudo por Acessibilidade.

Cadeirante gosta de ser ajudado?, por Cassi Gotlieb

Cadeirante gosta de ser ajudado?

O tema deste mês gera reações das mais diversas. Desde a dúvida das pessoas em como proceder, se é preciso auxiliar, até a real vontade de quem está sendo ajudado. Além das situações engraçadas que esses momentos podem ocasionar.

Sempre procuro frisar que cada pessoa possui uma necessidade específica e uma forma de pensar própria. Não existe verdade absoluta, o que temos é uma ótica vista sob um olhar, que leva para a reflexão dos mais diversos.

Quando eu vejo uma pessoa passar uma dificuldade na qual sinto que posso ser útil em fazer ela solucionar, prontamente me disponibilizo. Creio que essa é a mesma sensação de quem vê um indivíduo com dificuldades de locomoção. E podem ter certeza, se você que está me lendo, sente isso, você é uma pessoa maravilhosa. Pois nós seres humanos estamos aqui para sermos felizes e ajudarmos uns aos outros, essa é a moral de tudo. Com nossas virtudes, imperfeições, tentando, errando, mas sempre tendo em mente que o foco necessita ser esse.

Mas voltando ao nosso foco original, cadeirante precisa de ajuda?

Esse é aquele momento que a interpretação pode levar a diversos caminhos em relação ao que eu direi, mas NÃO, cadeirante não precisa de ajuda.

Cadeirante não gosta de ajuda. Cadeirante detesta (com respeito) que seja tratado de forma especial. Em compensação, todo mundo ama gentileza, parceria, aquela ajuda na camaradagem, que sente que o momento precisa. E o cadeirante, que não é diferente de ninguém, também gosta disso (Estendo para todas as demais dificuldades, visuais, motoras, etc).

Para que fique claro, quando existe algum tipo de amizade com um cadeirante, um contato mais direito, é muito mais fácil entender quando é o momento de ajudar ou não, de empurrar a sua cadeira, de o alcançar determinado objeto. A relação permite por conhecimento do outro, saber o que ele gosta. Mas quando você se deparar pela primeira vez com um cadeirante, lembre-se que a condição não torna as necessidades iguais.

Enxergue o indivíduo como ele é, mais um ser humano que possui sentimentos e capacidades diversas. Se você perceber que ela está em dificuldade com algo, ofereça ajuda. Se você passar do ponto, achar que a outra pessoa pode “se ofender”, não tem problema, ela também precisa ter a sensibilidade de te entender. Não é só você que precisa entender o cadeirante. Ninguém mais que ele sabe o quanto existem pessoas que não ligam para as outras, mas em contrapartida, diversas ligam e tentam demonstrar isso da forma mais sincera possível, mesmo que exagerada.

O ideal é sempre existir a conversa. Cuidar para a insistência não gerar um incômodo. “Ah, mas deixa eu empurrar a tua cadeira, assim tu não cansas” Se o cadeirante deixar, manda ver, ele sente o afeto ali presente. Mas se ele mesmo quiser empurrar, não insista. Afinal, você gostaria de ter alguém te puxando pelas mãos para caminhar?

Agora, se for um obstáculo realmente difícil para ele e o mesmo ficar com vergonha em lhe pedir, sinta o momento e assume o volante!

De resto, seja com ele, o que você é com o mundo (espero que carinho e gentileza). Ele espera isso de ti. E tenta ser percebido pelo que é, não pela sua condição.

Abraço, gente!

No próximo mês estaremos de volta.

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