
Cadeirante no asfalto
Um dos grandes desafios para quem anda de cadeira de rodas, é o deslocamento de forma independente pelas ruas dos municípios. Evidente que muitas vezes há auxílio, as pessoas se disponibilizam para ajudar, não deixam o cadeirante ficar trancado em um buraco de calçada ou paralelepípedo. Porém, sempre fica aquela sensação de que a independência tão necessária e desejada, não ocorre totalmente.
As dificuldades de andar sozinho com cadeira de rodas são enormes. Especialmente para quem não possuí cadeira motorizada, o que é o caso da imensa maioria dos cadeirantes. Os custos para obter ela são muito altos. O que mais contribuí para os problemas no deslocamento, são os desnivelamentos das calçadas. Pensando nesta coluna e querendo me exercitar fisicamente, fiz o teste na cidade de Taquara. Andei por algumas ruas que levam ao Parque do Trabalhador. O exercício foi válido. Entretanto, as pessoas que passam e olham o cadeirante fazendo esse trajeto, tem certeza de que ele precisa de ajuda, em razão de que como é totalmente inacessível as calçadas, é preciso se deslocar pelo asfalto, o qual é pesado, faz a cadeira pender para o lado, tornando um caminho de 5 minutos para andantes sem cadeira, virar meia hora para donos dela.
Ainda assim é um barato sentir essa liberdade, esse gostinho de que ninguém tem mais controle da sua cadeira, do que você mesmo.
O preocupante é que a falta de acessos adequados, desestimula e tira dos cadeirantes, o direito de tentar de fato com que a cadeira não limite aspectos básicos de uma vida saudável. É legal ser empurrado, ter companhia, mas é mais legal sentir a vida no seu controle.
Prefeituras, vereadores, moradores, vamos olhar com carinho isso.
Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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