Não aguento mais tanto papel, folder, revistinha com promoções de supermercados, bobagens e mais bobagens entupindo a caixa do correio do meu apartamento, além das contas a pagar, é claro, e as toneladas de santinhos de candidatos no período que antecedeu a eleição. Já tentei calcular quantas árvores foram derrubadas para confeccionar tanta papeleira que, confesso, com exceção das contas a pagar (não por falta de vontade), vão parar no meu lixo seco, para reciclagem.
Como pode ter tanta oferta? Como pode ter tanta gente disposta a consumir? Meu Deus, sempre há algo a ser oferecido para quem quer comprar qualquer coisa. Mesmo assim, acho um desperdício ecológico e uma perda de tempo utilizar essa estratégia de marketing, ao menos no meu caso. Comigo não funciona. Vai para o lixo, sem ler.
Isso sem falar na minha outra caixa, a de e-mails, cada vez mais entupida de ofertas de sites de compras coletivas para tudo, desde pizza até viagens incríveis para lugares que você nem imagina, o que às vezes pode render uma boa economia e umas barbadas imperdíveis, mas que, sinceramente, não consigo mais dar conta e acabo encaminhando, também, tudo para a lixeira, sem ler. Ultimamente, aliás, tem aparecido cada coisa que até Deus duvida que possa existir ou ser comprada por precinhos tão camaradas. Senhores, por favor, me deletem desse mundo. Eu não quero comprar!
Eu tomei as rédeas da minha vida faz tempo e decido o quê e quando adquirir o que eu bem entendo. Os apelos estão tão ostensivos e intensivos que, comigo, têm efeito contrário. Digo, quase sempre: – Não, obrigada! Eu não preciso disso e nem me sinto frustrada, viu?
Tenho cada vez mais me convencido de que menos é mais, em todos os sentidos. Menos consumo, mais cuidado com o meio ambiente; menos roupas, mais dinheiro para viajar; menos supérfluo, mais jantares e encontros com os amigos; menos carro, mais livros; menos ganância, mais felicidade com o que se tem realmente. E isso não é voto de pobreza, nem apologia religiosa. É a simples constatação de que menos, em vários aspectos, pode significar muito mais qualidade de vida e alegria em todos os sentidos.
Dizer NÃO é um ato de liberdade, podem acreditar. Os milhares de SIM que somos obrigados a compartilhar todos os dias não chegam aos pés de um NÃO, dito com convicção e sem culpa. Experimentem! Essa oferta, sim, é imperdível. Só hoje, uma barbada e custa bem baratinho. Que tal?
Roseli Santos
Jornalista


