Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 15 de maio de 2009 e está arquivada em Caixa Postal 59.

CAIXA POSTAL 59

OS DEZ MANDAMENTOS
Quando Moisés recebeu do Senhor as Tábuas da Lei, jamais se imaginaria  o nível de esperteza que os homens atingiriam. Basta refletir um pouquinho e veremos que as dez leis apresentadas são mais do que suficientes para manter a ordem no mundo. E vou mais longe: a meu ver, bastariam apenas duas: “Amar ao próximo como a si mesmo e Não mentir”. Com isso, abrangemos todas as lacunas das imperfeições humanas.
Pensem comigo: quem ama não mata, não rouba, não maltrata, não engana, não trapaceia, etc. Por outro lado, quem trai a família, os amigos, os colegas, os eleitores e demais pessoas, além do desamor, também se enquadra como mentiroso. Por isso, para que mais leis? Se eu amo meus pais, meus familiares em geral, meus amigos, meus eleitores, estou amando o meu próximo.  Para que tantos mandamentos?
Acontece que nós, humanos, somos muito malandros. Mesmo nos dias de hoje, basta criar uma regra, e um monte de espertalhões, imediatamente, dá  inicio às buscas de brechas para poder escapar dos novos compromissos.
Não bastaria utilizar o “bom senso” e sermos apenas honestos? Vejam, por exemplo: a lei determina que altos políticos podem utilizar verbas para passagem, quando em função de suas atividades públicas. Para mim, não precisaria dizer mais nada. Entendo que, se eu, como deputado, precisar visitar um estado para debater algum assunto de interesse nacional, posso  utilizar a verba para passagem. Em qualquer outra situação, não devo utilizar. Fim.
Outro exemplo: se um senador comete uma falha durante o seu mandato, deve ser julgado por um tribunal especial. É justo. No entanto, se comete um crime comum, não. Ele deveria  ser julgado como qualquer outro cidadão. No entanto, devido a algum furo da lei, não é o que acontece.
Isso é pura malandragem e, para mim, malandros devem ficar fora de quaisquer atividades que envolvam outras pessoas e, de preferência, na cadeia, sem direito a cela especial.
Apesar de minha indignação, preciso fazer uma “mea culpa”, pois, se eu  também não tiver um mínimo de esperteza e malandragem, em segundos sou engolido pelos mais vivos.
Existem milhares de outros exemplos. Basta sairmos às ruas de nossa cidade e veremos centenas de irregularidades cometidas por cidadãos de bem. Quando, por exemplo, atiro sujeira nas ruas, picho uma parede, não arrumo minha calçada, não limpo meu terreno, ouço o som de meu carro a todo volume, etc, não estou respeitando o meu próximo. Quando, por negligência, não pago minhas obrigações, estou mentindo, enganando alguém. Quando um político utiliza seu cargo para proveito próprio, mentiu e continua mentindo ao povo que o elegeu.
Eu poderia ficar exemplificando indefinidamente e sempre recairíamos nos dois preceitos iniciais: “Amar ao próximo e Não mentir”.
E digo mais: se eu não corresse o risco de ser taxado de maluco ou idiota, diria que a Constituição de qualquer país poderia funcionar apenas  com esses dois itens. Tudo o mais é pura decorrência.
Dagoberto  Velho

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