Refletindo sobre a agressividade
A agressividade tem aparecido com frequência nos noticiários nos últimos meses. Ouvimos, vivenciamos e vemos muito sobre esse comportamento, atitude ou reação frente à determinada situação do cotidiano. É pai que mata filho, aluno que surra professor, adolescente que bate em outro adolescente, marido que agride esposa, padrasto que abusa de enteado…
E não é só isso, a agressividade, além de expressar o ato de ferir ou surrar, também significa provocar, insultar e ofender. Sim. Vejamos alguns exemplos: o cliente da loja agride o vendedor ao xingá-lo pela insatisfação com uma mercadoria; o mais abastado agride o mais simples ao diminuí-lo por se vestir mal; um aluno agride o colega de aula ao rir dele por não ter todo o material escolar; a esposa agride o marido ao traí-lo; os pais agridem um filho quando só potencializam o outro, seu irmão; e agridem também o professor do seu filho quando propagam que este está certo ao espancá-lo.
A agressão está aí para todos verem, ouvirem e sentirem. Eu mesma cresci, ouvindo os adultos ao meu redor proferirem que “palavras feriam mais que tapas” e, tempos depois, lembro-me de ter experienciado isso e repetido de forma semelhante o mesmo dito. A impressão que tenho é de que a sociedade está tão acostumada com essa última forma de agressão, a verbal, que de certa maneira a diminui, e por isso se horroriza tanto com a primeira forma, a física.
Minha intenção aqui não é dizer que uma é mais grave do que outra, mas lembrar que as duas existem, e ambas são muito sérias, pois machucam com a mesma intensidade, tal qual pior.
Mas afinal, de onde vem a agressividade? O que leva alguém a esse comportamento, capaz de oscilar entre ofensas verbais, que magoam e ferem os sentimentos, até atitudes mais frias ou esquentadas, podendo levar o indivíduo ao homicídio e, por que não, ao suicídio? Arrisco em dizer que uma das respostas está na educação (ou na falta dela) e na rede de apoio, ainda muito conhecida por alguns como família.
É. É complicado apontar o motivo ou conceituar uma causa, pois seria como generalizar a vertente da agressividade, o que não é possível. Afinal, o ser humano não nasce agressivo, a agressividade é um processo construído, cada pessoa é única e tem uma única história de vida e é motivada a agir assim por questões muito particulares. Mas acredito que é importante poder refletir sobre isso, olhar pra si e avaliar a forma como temos tratado e nos dirigido ao outro, não apenas em momentos tranquilos, mas, principalmente, em momentos turbulentos e de conflito; e ainda, não pensar no outro apenas como um desconhecido, mas como alguém que pode ser próximo, conviver no mesmo ambiente de trabalho ou fazer parte da mesma família.
Catiane Strottmann
Psicóloga e especializanda em psicologia humanista


