Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 27 de novembro de 2009 e está arquivada em Caixa Postal 59.

CAIXA POSTAL 59

The End
Essa coisa de fim do mundo já é antiga e ressurge, de tempos em tempos, com diferentes teorias e pontos de vista. O que mais me intriga é a reação das pessoas. Há os céticos e os apavorados, os crentes e os desligados, mas a grande maioria acredita realmente que o fim do mundo está próximo.
O comentário de uma amiga me chamou a atenção dia desses: “Nós somos os dinossauros da vez”. Concordo plenamente. Ou alguém aqui acha que viverá eternamente neste planeta devastado sem sofrer os efeitos cósmicos das mudanças do universo? Muito contribuímos para a destruição, claro, mas basta pesquisar um pouco além para vermos que tudo é mutável na natureza ao longo das eras geológicas.
Com certeza, o efeito estufa, a poluição constante, o desmatamento e a sujeira que o ser humano está largando por aí são fatores que resultam em consequências vivenciadas por todos nós, cada vez com mais frequência, como enchentes, furacões, tsunamis, entre outras catástrofes diárias registradas pelo mundo afora. Acontece que há, também, coisas que fogem à nossa compreensão e ao nosso controle. O cosmos está sempre em movimento, se expandindo, se modificando. Entre milhões de galáxias, quem somos nós para achar que aqui as coisas serão permanentes?
Me surpreende o pavor de alguns seres humanos diante do óbvio. São obcecados pelo medo da morte, com o final dos tempos, enfim, mas não conseguem olhar além de seu próprio jardim. Para alguns “dinossauros”, vale o seu bem-estar. Tragédias são coisas distantes, que acontecem com os outros. O medo do desconhecido resulta, simplesmente, do fato de se negarem a ver seus semelhantes como iguais, todos tripulantes de uma mesma nave, que pode desgovernar a qualquer momento.
Envoltos em crenças medíocres, esquecem que a vida é muito mais do que as aparências exibem. Mais fácil assistir às tragédias pelos telejornais, em fotos nos jornais, desde que bem longe daqui. Mas quando o problema bate à porta, como vem ocorrendo nos últimos meses aqui bem próximo, na esquina da sua casa, ressurge o medo, a incerteza, a fragilidade diante do imponderável.
Se o fim do mundo está próximo, não sei. Pode ser que tudo acabe amanhã ou em 2012, como pregam alguns, ou daqui a 300 anos, quando obviamente ele já terá acabado para todos nós de qualquer maneira. Se somos os dinossauros da vez, melhor é aproveitarmos o tempo que nos resta, pensando na vida e não na morte, já que esta última inevitavelmente chegará para todos. Mas a vida plena, essa sim, só saberá o que é quem se entregar sem medo às dores e as delícias de estar aqui, no presente. E, se tudo der certo, quem sabe nos encontraremos em 2010, 2011, 2012, 2013, 2014… felizes por termos sobrevivido a nós mesmos.
Roseli Santos
– Jornalista –

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]

Leave a Reply