Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 4 de dezembro de 2009 e está arquivada em Caixa Postal 59.

CAIXA POSTAL 59

A experiência de ler
Ler é algo que aprendi no mesmo ritmo que qualquer criança da minha idade. O que me diferenciava delas era a paixão pelos livros e a certeza de que seria para sempre.
Nos meus primeiros anos, tive a influência de alguém que desempenhou um importante papel na minha relação de amor com os livros. Foi meu avô, que me ensinou a importância do lúdico, seja com os incontáveis jogos e brincadeiras, seja com os inesquecíveis versos, quadrinhas, rimas, adivinhas e causos. Com ele, aprendi que brincar com as palavras é uma forma de brincar com a vida.
Quando ingressei na escola, os livros passaram a me fascinar ainda mais. Naquele ano, durante uma visita de um vendedor de livros à escola, tive uma experiência que até hoje lembro com carinho. Comprei meu primeiro livro, o primeiro de muitos e que ainda está guardado no escritório da minha casa junto com tantos outros e, hoje, por vezes, leio-o para o meu filho, na vontade de sentir a mesma emoção que senti na primeira vez.
Nos anos seguintes, descobri que ir à biblioteca somente uma vez por semana não era suficiente. Foi então que comecei a frequentar a biblioteca com assiduidade, o que fiz durante todo o ensino fundamental e médio.
A faculdade de Letras, escolha previsível, foi uma experiência incrível, que permitiu conhecer incontáveis autores, livros extraordinários, refletir, interpretar, ler os sinais, os símbolos, o implícito, o pressuposto.
Já faz alguns anos que concluí a graduação e até hoje mantenho a mesma disciplina em relação à leitura. Ainda me obrigo a ler um determinado número de livros todo ano, dos mais variados estilos. Meus interesses de leitura não são diferentes do que eram quando entrei em uma biblioteca pela primeira vez. Ainda acho que tudo é fascinante, se contado por alguém que saiba fazê-lo. Leio clássicos, biografias, livros juvenis, literatura histórica, de tudo um pouco. Considero que toda leitura é válida quando desperta prazer.
Já vou pouco as bibliotecas, frequento mais as livrarias. Hoje, posso comprar os livros que tanto gosto, mas sem esquecer do primeiro que li, da primeira vez que entrei em uma biblioteca, dos versos que meu avô recitava durante a minha infância e, o mais importante, da sensação que todas essas coisas causaram.
Os livros são parte de mim. Com eles, viajo por lugares reais e imaginários, conheço culturas, experimento sensações, amo, odeio, sofro, vivo várias vidas que não são minhas, mas que deixam marcas profundas na minha alma – alma de leitor.
Graziela dos Reis

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