Quem acredita em bruxas também crê, certamente, em poções mágicas, aquelas misturas malucas que estranhas senhoras cozinhavam dentro de um caldeirão, visando obter sucesso, dinheiro e poder. Apesar do empenho e dos mistérios utilizados na elaboração destas fórmulas, desconheço qualquer notícia de que alguma dessas poções tenha funcionado para alguém.
E não poderia ser diferente, pois, onde misturamos bons elementos com quaisquer outros, não tão bons, dificilmente ocorrerá uma melhora. Normalmente, dá-se o contrário. Os produtos podres sempre acabam infectando os sadios. Nunca o inverso.
Se, na poção da bruxa, uma mistura de asa de morcego, cocô de lagartixa, teia de aranha e outros tantos ingredientes exóticos, num mesmo caldeirão, resulta numa meleca qualquer, porque pensar que misturando partidos políticos com idéias antagônicas, seria diferente?
Pois vendo tudo que tem acontecido na nossa política, a única coisa que me passa pela cabeça é que o caldo resultante destas atuais “misturas partidárias” só pode ser algo “muití$$imo gratificante”.
Penso que partidos divergentes nunca deveriam ocupar o mesmo espaço no poder político, ao mesmo tempo. Quando isto ocorre, fica a impressão de que suas ideologias são pura teatralidade e o que interessa são apenas os cargos, ou melhor, as “boquinhas”, onde o bem estar geral de suas comunidades, que deveria ser o objetivo maior, vai ficando para o final da fila.
E o pior é que, com a maior cara de pau, isto tem acontecido em todos os níveis da nossa política, inclusive aqui na nossa terrinha. Pessoas que declaravam de viva voz seu antagonismo a determinados candidatos, hoje estão unidas por laços de interesses “inexplicáveis”, com os ditos cujos.
Já não sei o que pensar. Ainda bem que a maioria de nosso povo vive politicamente alienada e até o próximo pleito, já estará com tudo isto devidamente absorvido por alguma festa popular ou algum programa imbecilizante qualquer, da nossa mídia.
Restando a nós, povo pagante, por exclusiva culpa desta nossa acomodação, continuar engolindo a “gororoba” resultante deste verdadeiro “caldeirão sinistro”, que é a nossa política atual, cujas “poções” resultantes, tais como as das antigas bruxas, permanecem buscando poder, sucesso e dinheiro para os mesmos de sempre.
Dagoberto Velho
Arquiteto
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Esta postagem foi publicada em 6 de maio de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.


