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Câmara de Igrejinha vota projeto para dar nomes de Antônia e Manuela a ruas; pai pede apoio à comunidade

Proposta será analisada na segunda-feira (15). Pai das gêmeas mortas em 2024 pede mobilização para aprovação
(Fotos: Arquivo/Rádio Taquara)

A Câmara de Vereadores de Igrejinha votará, na próxima segunda-feira (15), o projeto de lei que propõe homenagear as irmãs gêmeas Antônia e Manuela Pereira, de 6 anos, encontradas mortas com oito dias de intervalo em outubro de 2024. A proposta, de autoria da vereadora Ana Maria de Oliveira de Sá (PSB), prevê renomear duas ruas do bairro Invernada com os nomes das crianças. O pai das meninas, Michel Persival Pereira, pede apoio da população e dos parlamentares para que o projeto seja aprovado.

A iniciativa determina que a atual Rua Alfazema passe a se chamar Rua Antônia Pereira, enquanto a Rua Jasmim será renomeada Rua Manuela Pereira. Ambas ficam no bairro Invernada. Segundo a vereadora, as vias laterais escolhidas não possuem residências, o que evita impacto aos moradores e facilita a implantação da mudança.

O projeto enfrentou resistência nas comissões da Câmara. A matéria foi aprovada por 2 a 1 pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e também passou pela Comissão de Desenvolvimento Econômico, Bem-Estar Social e Segurança (CiDEBS). Mesmo avançando ao plenário, ainda existe a possibilidade de pedido de vista, o que adiaria a votação para fevereiro. A vereadora afirma que buscará apoio de todos os colegas para evitar atraso e garantir a aprovação.

“Meu luto é eterno. Eu só quero que elas não sejam esquecidas”

O pai das meninas tem reforçado a mobilização pública. Em entrevista à Rádio Taquara, Michel descreveu a dor diária da perda das filhas e afirmou que a homenagem é uma forma de garantir que Antônia e Manuela não sejam esquecidas. Ele também relatou dificuldades emocionais e críticas ao uso do caso por terceiros.

Segundo Michel, trata-se de uma homenagem simples, simbólica e sem impacto financeiro para o município.

“É um projeto que não traz ônus para ninguém, não altera a vida de ninguém, não gera custo para ninguém. É só a troca da plaquinha, só mudar o nome de duas ruas. E, por ser por lei, o nome vai ficar pra sempre”, afirmou, ao pedir o apoio da comunidade e dos vereadores.

Rua Alfazema (Foto: Google Maps/Captura de tela)

Vivendo o luto há mais de um ano, ele relata que a dor permanece diária. “Quando morre um familiar, todo mundo vem, bate nas costas e diz ‘conta comigo’. Isso é no velório. Depois vem o dia seguinte, o outro, e o outro. A empresa te dá cinco dias de atestado. Mas o meu luto é eterno. Ele não melhora. Ele machuca mais a cada dia”.

O projeto de renomeação, afirma, é hoje o eixo central da sua existência. “Hoje, o foco da minha vida é essa homenagem à Antônia e à Manuela. Por isso, gostaria de incentivar as pessoas a irem na Câmara apoiar o projeto, já ajuda muito. Eu quero que os vereadores sintam que a população está do lado disso. Esse é o meu pedido”.

Rua Jasmim (Foto: Google Maps/Captura de tela)

Sobre sua própria rotina, ele admite que ainda não conseguiu retomar a vida que tinha.

“Sobre esse último ano, não sei te dizer se foi de reconstrução. Eu não estou reconstruindo nada. Eu estou sobrevivendo. Eu não consigo voltar pra minha casa, não consigo ir nos lugares onde elas estavam. Eu acordo pensando nelas, passo o dia pensando nelas, durmo pensando nelas. Elas não saem da minha cabeça nem por um minuto. Eu falo delas o tempo todo”.

O caso

Manuela Pereira morreu em 7 de outubro de 2024, após passar mal enquanto dormia. O laudo de necropsia apontou hemorragia pulmonar com insuficiência respiratória causada por meio cruel, caracterizada como um tipo de asfixia. Oito dias depois, em 15 de outubro, Antônia morreu da mesma forma. A ficha hospitalar indicou pupilas fixas e sangramento na traqueia, com suspeita inicial de intoxicação por veneno de rato, também classificada como asfixia por meio cruel.

A mãe das crianças, Gisele Beatriz Dias, 43 anos, está presa preventivamente desde dezembro de 2024. Ela foi indiciada no inquérito da Delegacia de Igrejinha como principal suspeita das mortes.

Gisele em uma foto com as filhas gêmeas
Decisão do Tribunal de Justiça

No dia 18 de novembro, o Tribunal de Justiça julgou um recurso da defesa de Gisele e determinou a abertura de incidente de sanidade mental. O processo fica temporariamente suspenso até que peritos avaliem se a ré possuía discernimento e capacidade penal no momento dos fatos.