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Câmara de Parobé suspende por 15 dias vereador Elário Jahn

Parlamentar respondeu a processo na Comissão de Ética por chamar cantor de "macaco gordo".
Vereadores de Parobé aprovaram, por maioria, parecer da comissão de ética que sugeriu a punição. Vinicius Linden /Jornal Panorama

Por nove votos contra quatro, a Câmara de Vereadores de Parobé decidiu suspender por 15 dias o mandato de Elário Carlos Jahn (MDB). A análise do caso aconteceu na sessão ordinária desta terça-feira (19) e o parlamentar respondeu a um processo na Comissão de Ética por suposta quebra de decoro parlamentar devido à forma com que se referiu ao cantor e ex-deputado federal Agnaldo Timóteo na sessão de 20 de março. Na ocasião, com o objetivo de responder a manifestações de Timóteo consideradas ofensivas aos povos do Sul do Brasil, Elário se referiu ao artista como “macaco gordo”.

Elário (em primeiro plano) foi alvo de apuração de sua conduta pela Comissão de Ética. Divulgação/Eduarda Rocha

Os vereadores analisaram um parecer formulado pela Comissão de Ética do Legislativo, a qual sugeriu a suspensão de Elário pelo período de 15 dias. Os integrantes da comissão entenderam que a fala de Elário foi racista e não condizente com o mandato outorgado pela população parobeense. Devido ao fato de que o vereador nunca respondeu a qualquer processo, bem como se retratou publicamente após a fala, os membros da comissão entenderam que a punição adequada seria a suspensão.

Um dia após o pronunciamento em plenário, Elário apresentou retratação pública em que disse que se sentiu ofendido pelas falas de Timóteo, mas que sua manifestação na Câmara de Parobé não teve o intuito de ofender quem quer que seja. Além disso, reforçou que não tem qualquer atitude racista, o que é exemplificado por sua conduta de apoio às atividades afro que ocorrem em Parobé. Na sessão desta terça-feira, Elário evitou se manifestar, dizendo que os votos seriam de responsabilidade de cada vereador. Ele próprio se absteve na votação. Contudo, ao final da sessão, disse que não faz política por profissão e que, durante o período em que colegas trabalharam no processo, esteve preocupado em buscar recursos para Parobé, citando emendas parlamentares conquistadas em Brasília e verbas junto ao Estado. Manifestou, ainda, que a mídia não teria dado cobertura a atos seus, como o projeto em que sugeriu a diminuição para 11 do número de vereadores e a doação do décimo terceiro salário.

Durante a análise da matéria, outras manifestações foram do vereador Gilberto Gomes Júnior (PRB), presidente da Comissão de Ética, dizendo que o órgão segiu o regimento interno da casa e, em nenhum momento, analisou o trabalho do vereador Elário, do qual Gilberto elogiou, apenas tomando posição com relação à fala sobre o cantor. O vereador Antônio Carlos dos Santos (PDT), membro da comissão, pediu que a mesa diretora da Câmara encaminhe, ainda no segundo semestre, uma revisão do código de ética para corrigir problemas que, segundo ele, foram verificados no decorrer deste processo. O presidente da Câmara, Enio Terra (PTB), disse que o caso foi conduzido com a orientação jurídica e transparência.

Para Éneas Rodrigues (MDB), o vereador Elário apresentou retratação e ficou provado que ele não é racista, o que não motivaria a suspensão do mandato, entendendo a fala como um fato isolado. O vereador Idamir Antônio de Moraes (PSDB) disse que conhece Elário há mais de 20 anos que é testemunha do trabalho do colega pela comunidade de Parobé, criticando, ainda, manifestações caluniosas aos vereadores nas redes sociais. A vereadora Maristela Rossato (PT) disse que admira o trabalho da comissão que analisou o caso. O vereador Alex Borá (PR) também parabenizou o trabalho da comissão e a própria postura de Elário que, segundo ele, possui um trabalho e, em momento algum, tentou influenciar o voto dos colegas.

COMO VOTARAM OS VEREADORES

Favoráveis ao parecer – e automaticamente à suspensão
Maristela Rossato (PT)
Jair Bagestão (PT)
Jorge Graminha (PP)
Gilberto Gomes Júnior (PRB)
Dari da Silva (Pros)
Marcelo Pereira (PDT)
Antônio Carlos dos Santos (PDT)
Henrique dos Santos (PDT)
Alex Borá (PR)

Contrários ao parecer – e à suspensão
Idamir Antônio de Moraes (PSDB)
Éneas Rodrigues (MDB)
Maria Eliane Nunes (MDB)
Valcir Moreira (PSB)

Abstenção
Elário Carlos Jahn (MDB)

O presidente Ênio Terra (PTB) só votaria em caso de empate.