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Câmara de Taquara abre campanha 21 Dias de Ativismo e destaca desafios no enfrentamento à violência contra as mulheres

Sessão marcou o início da mobilização anual no município, reunindo educadoras, gestoras e parlamentares em defesa das mulheres e contra todas as formas de violência
Abertura da sessão teve apresentação de estudantes da EMEF Zeferino (Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

A Câmara de Vereadores de Taquara realizou, nesta terça-feira (18), a 39ª Sessão Ordinária, marcada pela abertura oficial da campanha 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, iniciativa internacional que mobiliza entidades públicas e a sociedade civil na defesa dos direitos das mulheres e no enfrentamento das diversas formas de violência.

Durante a sessão, educadoras e representantes de serviços e conselhos municipais apresentaram reflexões sobre desafios estruturais, desigualdades e a realidade enfrentada pelas mulheres no município.

A orientadora escolar Eduarda Gheller Máximo da Silva, da EMEF Zeferino Vicente Neves Filho, destacou a influência do racismo estrutural na vida das mulheres negras. Ao tratar da persistência de desigualdades, ela afirmou:

“O impacto está realmente nos dados sobre violência. As mulheres negras continuam sendo 69,9% das trabalhadoras domésticas assalariadas, traz muita referência do tempo colonial, das mães pretas. Então, dessa desvalorização do trabalho da mulher, do corpo negro e dos nossos saberes. Então, acho que está muito enraigado o nosso silenciamento dessas narrativas, dessas histórias”.

Eduarda ressaltou ainda a importância de levar esse debate às escolas e aos espaços políticos: “É extremamente necessário para que haja mudança de estatísticas”.

A coordenadora do Centro de Referência de Atendimento à Mulher de Taquara, Elissiane Vargas da Silva, reforçou a relevância da rede de apoio e o impacto direto do atendimento às vítimas.

“A gente acaba recebendo muitas situações, a gente acaba acompanhando elas num momento muito difícil, quando elas chegam muito fragilizadas. E ter essa rede de apoio para elas faz toda a diferença”.

Segundo ela, acompanhar as mulheres na reconstrução de suas trajetórias após romperem o ciclo da violência é algo marcante.

“É muito significativo quando a gente vê a evolução delas, quando elas conseguem enfrentar o ciclo da violência, quebrar esse ciclo e construir novamente a vida”.

Lisi reforçou que os dados apresentados ao público representam vidas reais.

“Não são só números, são histórias, são pessoas, são mulheres que acabam enfrentando todo esse ciclo da violência e toda essa dificuldade”.

A presidente do Conselho Municipal da Mulher, Luciana Hoffmann, destacou a necessidade de avanços estruturais no combate à desigualdade.

“A gente precisa evoluir enquanto sociedade para erradicar a violência contra a mulher, toda a desigualdade contra a mulher, a desigualdade social para a pessoa negra. Nós temos muito o que caminhar ainda.”

Sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor, ela acrescentou:

“Nós temos propostas que a gente quer levar à frente, mas a gente vê o quão difícil é. Então é uma luta constante, temos muito a construir”.

A vereadora Mônica Facio (PT) também se manifestou sobre a importância de manter o tema vivo no contexto do debate público.

“A culminação do que nós estamos discutindo e tratando é justamente isso: infelizmente, a violência contra a mulher ainda precisa estar na pauta, em uma agenda estratégica, inclusive na pauta jurídica”.