Geral

Câmara tem discussões e cobranças de vereadores à administração em Parobé

Durante a sessão, vereadores cobraram explicações sobre obras na creche Azaléia e houve discussão entre parlamentares.
Foto: Alan Júnior / Jornal Panorama

A sessão da Câmara de Vereadores de Parobé, que ocorreu na noite desta terça-feira (16), teve discussões e cobranças sobre obras – supostamente inacabadas – de parlamentares à administração municipal. Os vereadores de oposição ao governo, Alex Luiz de Souza (PR), Maristela Rossato (PT) e Dari da Silva (Pros), usaram seu espaço na tribuna para questionar a administração sobre uma reforma na Escola Municipal de Ensino Infantil (EMEI) Azaléia. Segundo eles, as obras já foram pagas pela Prefeitura Municipal de Parobé e não foram acabadas, porém, estariam sendo dadas como prontas. Os parlamentares realizaram uma visita de avaliação às obras, na última segunda-feira (15), que contou com a participação do vereador Gilberto Gomes (PRB).  Além disso, os três questionaram a administração sobre o atraso no pagamento dos salários de merendeiras. Segundo eles, a empresa que terceiriza o trabalho das profissionais, recebeu R$ 260 mil da prefeitura para os salários, mas, até esta terça-feira, ainda não havia efetuado o pagamento.

Os vereadores afirmam que nenhum brinquedo foi reformado e que há falta de balanços na praça.

O vereador Alex Bora questionou sobre uma reforma na escola, que, segundo ele, já teria sido paga pela administração municipal, porém, não foi concluída. “Já foram pagos R$ 140 mil para a empresa, para que essa obra já estivesse pronta. Onde deveriam ter sido trocados os parquets do assoalho foi colocado cimento no lugar do material novo e as janelas, que deveriam ser trocadas, não foram. Convido o prefeito para ir na escola da Azaléia e fazer um vídeo para mostrar a realidade”, afirma o vereador.

Outro problema levantado por Bora, foram as reclamações, recebidas por funcionários terceirizados, sobre atraso no pagamento de algumas faxineiras. “Do dia 28 de junho até hoje, a administração pagou mais de R$ 260 mil para a empresa e como eles não têm dinheiro para pagar os funcionários? Essas são apenas algumas das irregularidades que encontramos. Parobé pede socorro”, conclui Alex.

Segundo os vereadores, onde deveriam ter sido colocadas peças novas foi posto apenas cimento.

A vereadora Maristela Rossato (PT), também solicitou à administração municipal, esclarecimentos sobre as obras na EMEI Azaléia. Segundo Maristela, “as explicações sobre porque essa empresa (afirmando se tratar de uma mesma companhia que ganha a grande maioria das licitações) ganha tantas obras no município e não as realiza, devem ser trazidas à tona”. Ainda conforme a vereadora, a administração do MDB herdou a referida empresa, que deveria pagar as merendeiras, do governo interino de Moacir Jagucheski (PPS).

Após ter seu nome citado pela vereadora Maristela, Jagucheski pediu direito de resposta, que foi aceito pela presidente da Câmara, Maria Eliane (MDB). Ao fazer uso da palavra, Moacir afirmou que, enquanto esteve no cargo de prefeito interino, “só pôs dinheiro em obras que foram realizadas”. Jagucheski disse, ainda, que a vereadora gastou mais de R$ 7 milhões, acima do esperado, em sua gestão como Secretária de Educação, durante o governo do ex-prefeito Cláudio Silva (PT). Após algumas trocas de acusações, as cobranças à administração municipal voltaram a pauta.

O vereador Dari da Silva (Pros), em seu espaço na tribuna, relatou que em uma visita realizada à creche da Azaléia, em 2018, a alegação era de que naquele momento a obra ainda não estava concluída. “Agora, com a obra pronta ainda tem muitas coisas inexplicadas. Foi pago R$ 5.652,02, na reposição dos parquets e nenhum foi trocado, sendo colocado cimento no lugar da peça nova. Os brinquedos da pracinha das crianças, onde foram investidos R$ 1.510,96, deveriam ter sido reformados. Nessa visita que fizemos na segunda-feira, nenhum brinquedo foi reformado e os balanços nem existem mais. Em relação às janelas de madeira, que deveriam ter sido colocadas no local, no valor de R$ 13.269,34, nenhuma foi instalada. Onde foi parar o dinheiro?”, questiona Dari.

Já o vereador Gilberto Gomes, durante seu espaço na tribuna da Câmara, foi mais ponderado quanto os trabalhos realizados na EMEI Azaléia. Disse que as coisas precisam ser apuradas para se ter maior clareza. “O que eu acompanhei, durante a visita que fizemos ao local, com o engenheiro responsável, é que fica pendente, apenas, segundo o meu ponto de vista, a reforma da pracinha”, destaca Gomes.

Os vereadores protocolaram o Pedido de Informação nº 059/2019, questionando sobre o andamento das obras na creche Azaléia. A administração municipal, por meio do prefeito Irton Feller (MDB), encaminhou à Câmara de Vereadores um memorando, na segunda-feira, dia 8 de julho, respondendo aos questionamentos dos vereadores. O memorando, assinado pelo prefeito e, também, pelo Secretário Municipal de Planejamento Urbano, Habitação e Participação Popular, Ricardo Juarez dos Santos, informa que “a obra foi concluída e o responsável técnico foi substituído pelo engenheiro Cléber Ruddolfo Schoernadie”. Segundo cópia do orçamento para reformas na EMEI Azaléia, o responsável técnico por assinar a obra, inicialmente, havia sido o engenheiro William Orth – Crea/RS 126808.

COM A PALAVRA A PREFEITURA DE PAROBÉ

O Jornal Panorama entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Parobé, indagando sobre os questionamentos feitos pelos vereadores da oposição, descritos nessa matéria. Em resposta, o Chefe de Gabinete do governo, Valdenir Martins, informou que, em relação à Creche da Azaleia, “os engenheiros responsáveis estão fazendo o parecer técnico e a documentação para entregar, porque a responsabilidade da finalização da obra é do engenheiro dentro do projeto, que foi acordado em contrato”. Já sobre a folha de pagamento da empresa terceirizada que estava em atraso, Martins afirma que o pagamento já foi regularizado e a Prefeitura notificou a empresa sobre o devido ao atraso.


Cópia de documento enviada ao Panorama pelo Chefe de Gabinete da Prefeitura de Parobé.

“Estamos devolvendo R$ 712 mil de juros da obra do Hospital São Francisco de Assis, na qual foram sacados R$ 3 milhões da conta, por isso estamos com dificuldades em várias ações da Prefeitura. Também temos que devolver quase R$ 3 milhões das UBSs, que foram sacados da conta. Há também a questão dos uniformes comprados em 2013, que temos de pagar R$ 1 milhão e, até hoje não foi pago, então precisamos fazer o pagamento deste dinheiro com multa e juros. Tem um passivo de guardas [municipais], que também foi levantado na Câmara terça-feira, a Prefeitura vai ter que pagar em torno de R$ 1 milhão para pessoas recorrentes na justiça contra a empresa. Todos os dias o Município está pagando uma vela para cada santo, invés de investir na Saúde tem que devolver o dinheiro que desapareceu”, relata o chefe de gabinete.

Imagem de documento enviada à reportagem.

Ainda conforme Valdenir Martins, o Município aprovou um projeto no Banrisul para compra de maquinários para a Secretaria Municipal de Obras, sendo que há 10 anos, a pasta contava com 12 caminhões e seis retroescavadeiras e hoje conta com apenas três caminhões e uma retroescavadeira. Também foi aprovado um projeto para comprar uma máquina de Usina Asfáltica, caminhões e outros maquinários para a Secretaria de Obras. “Além disso, temos aprovado, na Caixa Econômica Federal (CEF) as duas etapas do asfalto de Santa Cristina do Pinhal, porém estamos no CADIN por causa de uma dívida do Pro-Jovem Urbano de 2008. Então essas questões têm de ser levantadas e debatidas, por exemplo, temos que concluir todas as UBSs, mas temos que antes de concluí-las devolver o dinheiro”, finaliza Martins.

Confira fotos da EMEI Azaléia, enviadas pelo vereador Dari da Silva
e dos documentos enviados pelo chefe de gabinete, Valdenir Martins, ao Jornal Panorama
:

Fotos: Divulgação/Dari da Silva

Imagens: Divulgação/Valdenir Martins