Em coluna anterior escrevi que até certo ponto da minha vida eu olharia para trás e veria uma série de relacionamentos infelizes. Consultado sobre isso elaborei esta coluna. Faço-a até como um pedido de perdão, pois muito da culpa do insucesso deles é minha. Sei as razões que os fizeram não dar certo: expectativas que não vão se realizando, insegurança, despreparo em lidar com certas situações, não saber direito o que se quer de alguém, o que se quer da vida, insensibilidade, e em vez de dizer irresponsabilidade, aqui cabe melhor a palavra egoísmo.
Minha primeira paixão aos 15 anos não me quis, e eu queria me casar com ela. Magoei três namoradas sérias deixando-as sem saber direito o motivo. Não tive coragem de me declarar para uma colega da faculdade, filha de um professor meu, e outro casou com ela. Pirei loucamente por uma colega de mestrado, mas quanto mais eu queria que ela ficasse ao meu lado, mais parecia que falávamos línguas diferentes, e mais ela se afastou. Nunca o céu e o inferno se mesclaram tanto dentro de mim. Mais tarde juntei os trapinhos, mas não soube levar as coisas como deveria.
Em questões de relacionamento acabamos abrindo feridas em quem nunca as mereceria, acabamos às vezes perdendo a noção de nós mesmos. Então aqui peço desculpas. Mas como existe a lei do retorno, também fui deixado exatamente três vezes, e o pior é que sabendo os motivos. Assim como magoei fui magoado, assim como ofendi fui ofendido, e de outras formas a vida me cobrou as injustiças passadas. Mas apesar das cicatrizes profundas que ficam nessas situações, também coisas boas ficaram, coisas de lembrar e guardar para sempre com carinho. Então, nem tudo foi em vão.
Ainda no passado voltei em busca da minha primeira namorada, Margarete, de Parobé, cursava auxiliar de nutrição, Santa Teresinha à noite, o destino me enviou a endereços errados, acabei desistindo. Não era para ser? Haveria mágoas cedo ou tarde? Creio que se pudéssemos voltar para mudar certas coisas, igual chegaríamos a um presente-futuro já determinado, e o que teríamos feito era apenas ter pego outros atalhos para um hoje-amanhã já a nossa espera. Até eu chegar onde estou, com quem estou, não foi nadinha um mar de rosas. Mas só agora, aos 40 e poucos, vejo tudo começar a se juntar e a fazer sentido.
Por bem ou por mal, me lembro de cada uma das minhas relações; me lembro de ti, Margarete, e espero que este texto possa te alcançar e que estejas bem e que, quem sabe, tenhas me perdoado.
Esta postagem foi publicada em 15 de abril de 2011 e está arquivada em Haiml & etc..


