
Muitos moradores de Parobé certamente já se surpreenderam ao encontrar seu Nelson Becker, de 77 anos, passeando com o seu cachorro chamado Tigre. O animal, da raça Cimarron Uruguaio, tem um tamanho e peso surpreendentes até mesmo para cães desta raça.
De acordo com o tenente Waldemar David Pereira Dias, comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Parobé, é difícil encontrar quem não se assuste quando vê o cachorro andando pelas ruas de Parobé.
“Seu Nelson mora na frente do quartel e, quase que diariamente, leva o animal de estimação para passear pela rua e também no pátio da corporação”, informa tenente Dias.
Tutor do Tigre há cerca de oito anos, desde que ele era um filhote, seu Nelson ficou viúvo há cinco anos e, desde então, o cão Cimarron Uruguaio tem sido seu grande companheiro.
“Eu ganhei o Tigre do meu filho Newton e da minha nora Angélica, que moram aqui do lado de casa. Minha nora conhece muito sobre cães e foi ela quem foi buscar o filhote no Uruguai”, conta seu Nelson.

Conforme os veterinários Felipe Augusto Konzen e Roberta Linck Pinto, proprietários da Bem Estar Animal, em Taquara, clínica onde o Tigre é paciente desde filhote, o Cimarron Uruguaio é uma raça que se originou no próprio país Uruguai e é oriunda de cachorros espanhóis que fugiram durante o século 18 e ficaram por anos, de forma selvagem, procriando no Uruguai.
“Com o tempo, essa raça começou a dar problemas porque tinha um número muito grande de animais soltos, livres no país, e também porque eles acabavam atacando rebanhos. E aí o governo do Uruguai fez um movimento para exterminar os animais. Mais de 300 mil Cimarrons livres foram exterminados, mas restou alguns exemplares que deram origem à raça de hoje em dia”, explica Felipe.
O veterinário conta ainda que o Cimarron Uruguaio é uma raça dócil, boa para lida de campo, pois ajuda bastante nas fazendas do Uruguai. No Vale do Paranhana, além do Tigre, que é paciente da clínica desde filhotinho, a clínica também atende um canil de criadores em Santa Cruz da Concórdia, interior de Taquara.
“Não é uma raça comum aqui no Rio Grande do Sul. Porque essas raças, de porte médio para grande, o proprietário precisa de um espaço um pouco maior pra criar, então não é tão comum”, relata o veterinário.

Felipe informa ainda que, depois de domesticada, a raça passou a ter cães com um peso máximo esperado de 45 Kg, uma altura média esperada de 60 centímetros, medindo na altura do pescoço, a cerneira que se chama, e a expectativa de vida, como é uma raça média para grande, ao redor de 10, 12 anos. E que o tamanho do cão de Parobé é realmente surpreendente.
“É difícil afirmar que o Tigre é o maior Cimarron Uruguaio do Estado, mas, com certeza, ele é um cachorro que foge do padrão comum da raça e é o maior dos Cimarrons que a gente atende aqui na clínica. O peso normal, esperado pra raça, é de até 45 Kg e o Tigre tem quase duas vezes esse peso. Ele é um cachorro muito, muito grande”, reforça o veterinário de Taquara.
Em sua última consulta, realizada na quarta-feira (17), o cachorro de Parobé foi tratar uma dor na coluna e um pequeno problema na próstata e precisou ser castrado, já que ele ainda não era. Ao ser colocado na balança, o animal pesou 70,1 Kg. Apesar do tamanho, que pode assustar num primeiro momento, Tigre é bastante dócil e sempre disposto a brincar com seu Nelson e seus familiares.


