
Carros autônomos, da ficção até a sua garagem
Carros que dirigem sozinhos sempre foram comuns na ficção científica, desde aqueles livros antigos do Isaac Asimov até filmes modernos. Mas a verdade é que carros autônomos não são algo originário da ficção, eles foram previstos durante a primeira era dos carros, quando os inventores pensavam em um carro que fizesse a união da liberdade de movimento dos carros com a segurança e autonomia dos trens, que até então eram o veículo mais popular. O tempo passou e esse desejo nunca sumiu, enquanto outros tipos de veículos ganharam sistemas de autonomia sendo levados para o mercado, em carros esse tipo de sistema sempre foi deixado de lado para resolver problemas mais sérios e imediatos, como por exemplo o problema ligados aos motores e rodas dos primeiros carros, passando pelos problemas de segurança dos carros durante os anos 1950 e chegando aos problemas de emissão nos anos 1990. Acredite, durante todo esse tempo sempre existiram protótipos de carros autônomos sendo apresentados pelas montadoras, o problema sempre foi como isso chegaria ao mercado. Podemos lembrar que sensores externos já eram utilizados em carros comuns desde os anos 1980, no entanto, isso sozinho não seria o suficiente para fazer com que os carros sejam autônomos no meio do trânsito de grandes cidades. Nos anos 2000 redes wifi, tecnologia 3G e a popularização dos GPS tornou os carros autônomos mais próximos do público.
Sendo assim, carros com algum nível de autonomia começaram a aparecer no mercado, por exemplo com sistema de estacionamento automático e o cruise control (sistema que mantém a velocidade constante sem a necessidade do motorista apertar o acelerador). Segundo a Sociedade dos Engenheiros Automotivos (SAE na sigla em inglês), esses dois sistemas estão entre o nível 1 e 2 de automação. No nível 2, os veículos conseguem realizar pequenas funções com autonomia, mas precisam ser ativados pelo motorista e também necessitam que o mesmo permaneça no controle do carro para evitar qualquer deslize do sistema. Embora já tenhamos protótipos de carros autônomos de nível 3, onde o motorista pode realizar outras tarefas enquanto dirige, mas deve ter o mínimo de atenção no trânsito para manter o controle do carro, esse tipo de veículo ainda é discutido no ponto de vista político. Isso porque durante os testes ocorreram diversos acidentes graves e mesmo em lugares aonde esses carros foram permitidos (geralmente cidades pequenas no interior dos EUA, Japão e da Europa), os carros costumam estar envolvidos em acidentes fatais. Diferente dos carros de autonomia nível 5, onde o usuário não tem nenhum controle sobre o veículo e que geralmente são utilizados em áreas fechadas e com baixíssimo risco de acidentes, carros de autonomia nível 3 são utilizados em cidades e rodovias onde interagem com outros veículos sem nenhum nível de autonomia, com pedestres, ciclistas, animais e geografia que muitas vezes não é estável.
No mês de Abril de 2021, carros autônomos de nível 3 começaram a ser discutidos pelo departamento dos transportes do Reino Unido. O objetivo é liberar sistemas de autonomia do nível 3 (mais especificamente, sistemas de hands free, ou seja, o carro será guiado de forma automática) para o público ainda em 2021. Isso ocorreria apenas em áreas onde o limite de velocidade seja de 60km/h e em pistas de via única. É um avanço importante, mas o governo está tentando criar um sistema de segurança para evitar que os motoristas abusem do sistema. Basta lembrar que o Reino Unido já contabilizou acidentes com carros autônomos no passado, alguns com vítimas fatais.
Avanços como esse podem resultar numa maior aceitação da tecnologia por parte do público e dos governos, abrindo espaço para novas tecnologias e talvez, num trânsito mais seguro e confortável num futuro próximo.
Por Guilherme Schirmer da Costa
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