Estou afastada há mais de vinte anos desta cidade, mas ainda a trago no coração e, semanalmente, busco saber as notícias do que por aí vai acontecendo. Assim, fui abalada com a inesperada revelação de que as Irmãs de Nossa Senhora deveriam deixar a Apromin, instituição que abriga crianças carentes e em situação de risco.
Todos sabemos o quanto essas mães altruístas fazem pelos pequeninos que lá têm o seu verdadeiro lar. Diuturnamente, elas trabalham, seguindo o exemplo de Maria, a mãe do Salvador, e da grande Maria Verônica Kehl, moça humilde desta comunidade, que dedicou a sua vida a cuidar de tantas crianças necessitadas, eu, uma delas.
A dona Verônica, como a chamávamos, enfrentava uma jornada de 24 horas diárias, pois, muitas vezes, precisava interromper seu sono reparador para atender algum bebê que chorava, outro que estava com febre, ou, até mesmo, algum que precisava ser encaminhado ao hospital. Foi uma tarefa árdua que lhe custou uma vida inteira de extrema dedicação celibatária. Felizmente, antes da sua morte, Deus nos encaminhou as irmãs para que trabalho tão grandioso pudesse ter continuidade.
As irmãs, pessoas instruídas, com conhecimentos pedagógicos na bagagem, chegaram trazendo nova vida àquelas crianças. Em pouco tempo, reformularam muitas coisas. A nossa creche mudou, evoluiu, modernizou-se… e muitas dificuldades foram amenizadas…
A comunidade taquarense sempre foi muito solidária com a instituição, ajudando, principalmente, na provisão de recursos materiais. Mas, agora, a nossa Apromin clama por um pouco mais e essa mesma comunidade, tenho certeza, não há de deixá-la ao desamparo: é preciso, urgentemente, organizar um movimento que garanta a permanência das abnegadas irmãs junto a essas crianças de quem a vida já tirou tanto. Não podemos permitir que, mais uma vez, seja roubado o lar desses inocentes.
Sim, meu queridos conterrâneos, com a experiência que tenho de ter vivido lá por dez longos anos, aprendi que o modelo mais acertado para acolher aquelas crianças é esse que já está instituído – com as irmãs –, por se aproximar da vivência de uma família. E quem poderá fazê-lo melhor? Quem, hoje, poderá se dedicar em tempo integral a tão nobre missão? A dona Verônica não existe mais… E mesmo aquele seu regime de trabalho já não seria permitido pela legislação atual…
Vamos dar condições a que as irmãs de Nossa Senhora, firmes em seus postos, continuem cuidando dessas nossas crianças por quem temos muita responsabilidade, se queremos o progresso de nossa querida Taquara.
Arlinda Maria Caetano Fontes
– Interna da Creche Apromin de 14/1/1956 a julho de 1965. Hoje, professora universitária, com atuação na Unisinos, Unilasale, Ipuc e Emagis – Escola da Magistratura do TRF4 (Tribunal Regional Federal da Quarta Região) –


