Em 24 de junho de 2008, o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) interditou o então Hospital de Caridade de Taquara, alegando infração às regras de ética médica. Um ano e meio depois, em 30 de outubro de 2009, Taquara voltou a contar com um hospital, então rebatizado de Bom Jesus. Nesta segunda-feira, 7 de março, 2.814 dias após a primeira interdição pelo Cremers, e 2.320 dias após a sua reabertura, o Hospital Bom Jesus amanheceu sem atendimento.
Os pacientes que chegam às portas do Bom Jesus encontram lacres afixados. Uma placa informa a paralisação e orienta: "queira dirigir-se ao posto de atendimento 24 horas do município". O anúncio de paralisação foi feito pela assessoria de imprensa do Sistema de Saúde Mãe de Deus, na sexta-feira passada. A entidade é a gestora administrativa do Bom Jesus. No texto, o Mãe de Deus alega que "em função da forte crise econômica que afeta a saúde e da paralisação dos seus médicos", o hospital suspendeu as atividades. A instituição disse que permanece negociando com os médicos para retomar a normalidade dos serviços e que estuda alternativas junto aos órgãos competentes para resolver a situação. Por enquanto, não há qualquer prazo para que o Hospital volte a funcionar.
A decisão de paralisação foi tomada pelos médicos na semana passada. A equipe tem a receber 60% dos salários de novembro, a totalidade de dezembro e janeiro e, nos próximos dias, vencerá a produção de fevereiro. Os médicos são contratados na forma de pessoa jurídica pelo Hospital e, portanto, prestam serviços à casa de saúde com a emissão de notas fiscais. Também na semana passada, o Conselho Municipal de Saúde de Taquara anunciou o pedido de auditoria nas contas do Hospital Bom Jesus, para verificar exatamente as receitas e despesas. Contudo, este levantamento depende de a Prefeitura liberar verba para que seja realizado.
Em nota, a administração de Taquara afirmou que tem sido pontual com os repasses de sua competência ao Hospital. "Pena que o Estado do Rio Grande do Sul não esteja tendo a mesma preocupação e nem empreendido qualquer esforço para apenas cumprir o que é sua obrigação, tanto legal como contratual. Estamos há meses lutando com todas as forças, lamentável a inérgia do governo estadual que com desdém tratou nossos apelos. Não se faz saúde sem investimentos e muito menos virando as costas para a população que necessita de atendimento". O texto da Prefeitura de Taquara pede paciência e compreensão a comunidade e afirma que alternativas estão sendo buscadas para resolver o assunto.


