
Foto: Arquivo da família
Neste final de semana, o caso de um bebê de apenas 29 dias de vida que foi levado ao Hospital São Francisco de Assis, em Parobé, para receber atendimento, teve complicações e acabou morrendo na casa de saúde gerou muitos comentários. Rapidamente, a notícia tomou expressiva proporção nas redes sociais, onde populares, que estavam no local e também aguardavam atendimento, relataram que os atendentes e enfermeiros, que fazem a primeira recepção aos doentes, haviam sido negligentes e o recém-nascido teria morrido devido à demora. Conforme o hospital, o bebê chegou ao local à 1h47min da madrugada deste domingo, apresentando vômito e febre, sendo iniciado atendimento às 2h08min e foi a óbito durante o atendimento por volta das 7h20min da manhã.
O Jornal Panorama buscou ouvir todas as partes envolvidas nesse caso e traz, nessa reportagem, a opinião dos pais do bebê sobre como foi o atendimento e o que teria acontecido para que a criança perdesse a vida. Além da palavra dos pais, o Panorama teve acesso à nota oficial, divulgada pelo Hospital São Francisco de Assis, na manhã desta segunda-feira (1) e também conversou com a vice-prefeita e secretária de Saúde de Parobé, Marizete Pinheiro (PP), para saber a posição de cada um dos possíveis envolvidos no caso.
OS PAIS DO BEBÊ
Uzias Schiler, 25 anos, era pai do bebê Pedro Kauan Telles Schiler, de 29 dias, que faleceu na manhã deste domingo, no Hospital São Francisco de Assis. A mãe, Geane da Rosa Telles, de 15 anos, está inconsolável com a perda do primeiro filho. De acordo com o pai, a criança nasceu no dia 1º de junho de 2019, no hospital de Parobé, de parto normal.

Pedro Kauan Telles Schiler, com 29 dias
Foto: Arquivo da família
“Meu filho apresentou quadro de “amarelão” – icterícia: é a pigmentação amarela da pele, membranas mucosas e o branco dos olhos – identificado já no nascimento. Ele e a Geane (mãe), tiveram que ficar dois dias no hospital. Depois, eles ganharam alta e foram para casa. Os dois ficaram só dois dias em casa comigo e já tivemos que voltar para o hospital, porque o Pedro não estava bem. Chegando no São Francisco, encaminharam ele para o Hospital da PUC, em Porto Alegre. Lá, os médicos constataram que teria que ser feito uma transfusão de sangue urgente. Eles não achavam veias no Pedro, aí tentaram pegar no umbigo, mas acabaram cortando o intestino dele. Fizeram uma cirurgia e costuraram o órgão”, relata Uzias.
Segundo o pai, depois de a transfusão de sangue e a cirurgia do intestino terem sido feitas com sucesso, o menino ficou internado na PUC, cerca de 20 dias, até que recebeu alta na sexta-feira, dia 28 de junho. No sábado (29), pela manhã, os pais notaram que o bebê não estava passando bem e o levaram para uma consulta no Hospital São Francisco. Conforme Uzias, eles foram atendidos por um pediatra do hospital, que teria avaliado o menino e dito que ele estaria bem e poderia ir para casa. No decorrer do sábado, os pais verificaram que Pedro começou a passar mal novamente, tendo, inclusive, expelido fezes durante o vômito. Os pais, assustados com a situação, levaram o menino novamente ao hospital de Parobé, chegando ao local no início da madrugada de domingo.
Os pais contam que se dirigiram à entrada principal e, enquanto aguardavam o atendimento, o filho começou a expelir fezes pela boca e nariz. O pai relatou, que em dado momento, sem saber o que fazer para que o filho fosse atendido, chutou uma porta e derrubou um computador, na busca de poder ver seu filho ser salvo. “Eu estava muito nervoso e não sabia mais o que fazer para que ele fosse atendido logo. Ele já estava ficando roxinho, mas infelizmente, nem isso ajudou a salvar a vida do meu filho. Só espero que o hospital dê mais atenção e tenha mais responsabilidade ao tratar de crianças, pois não desejo que isso aconteça com mais ninguém”, destaca o pai do bebê. Pedro Kauan Telles Schiler foi enterrado nesta segunda-feira (1/7), por volta das 11 horas, no Cemitério de Santa Cristina do Pinhal, interior de Parobé.
A NOTA DO HOSPITAL SÃO FRANCISCO DE ASSIS
O Hospital São Francisco de Assis divulgou uma nota oficial, em seu site, explicando o que aconteceu no atendimento ao recém-nascido que faleceu em suas dependências. Conforme a nota, o hospital somente veio a público com a edição da nota devido à repercussão negativa nas redes sociais sobre o atendimento prestado à criança. A casa de saúde informou que o recém-nascido possuía histórico de internações, tendo sido atendido no local, em outra ocasião, quando teve que ser encaminhado à UTI neonatal do Hospital da PUC, em Porto Alegre, onde teria ficado 21 dias internado.
Ainda segundo a nota, durante a internação no hospital da PUC, a criança teria sido submetida a uma cirurgia abdominal devido apresentar um quadro de icterícia. Segundo o Hospital São Francisco, a criança foi levada à casa de saúde a 1h47min de domingo (30), apresentando vômito e febre, e foi atendida às 2h08min da manhã. A nota do hospital informa ainda que, durante o atendimento, o paciente foi entubado e teve o acompanhamento de um pediatra, que teria ficado ao seu lado o tempo todo, porém, o bebê acabou não resistindo. Em relação ao pediatra que teria avaliado o bebê e mandado a criança para casa, o hospital informou que está realizando uma reunião para discutir a situação e irá informar a comunidade sobre o ocorrido.
Confira a nota oficial, na íntegra, divulgada pela casa de saúde de Parobé:

A SECRETARIA DE SAÚDE DE PAROBÉ
A Secretaria de Sáude de Parobé, por meio da vice-prefeita e titular da pasta, Marizete Pinheiro (PP), informou à reportagem do Jornal Panorama que já conhecia o caso do menino Pedro, pois o pai da criança é servidor público e trabalha no setor de manutenção da Prefeitura de Parobé. De acordo com Marizete, o pai teria levado o bebê no prédio da Saúde da Mulher, há alguns dias, para efetuar o teste do pezinho. Uma enfermeira teria indicado à família que eles deveriam levar a criança para consultar com um pediatra, devido a cor amarelada que a criança apresentava. Os pais levaram o menino ao Hospital São Francisco de Assis, onde foi constatado o quadro de icterícia e o menino foi transferido para o Hospital da PUC, em Porto Alegre.
“Na sexta-feira à tarde, nossa enfermeira Gemanir Polita ligou para os pais pedindo que comparecessem na Saúde da Mulher, para que fosse feita uma nova avaliação. Eles foram ao local e foi constatado que estava tudo bem com a criança. Nós fizemos tudo que estava ao nosso alcance para ajudar essa família e reverter o caso do bebê, porém a responsabilidade pelo atendimento é do Hospital São Francisco, visto que a Secretaria de Saúde de Parobé não responde pelos atendimentos feitos na casa de saúde. Mas, penso que o correto, seria ter levado a criança direto na emergência do hospital”, afirma Marizete.
Ainda segundo a secretária de Saúde, na tarde desta segunda-feira (1/7), foi realizada uma reunião com os vereadores para tratar especificamente desse caso.


