Durante coletiva de imprensa, realizada na manhã desta sexta-feira (23), na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento (DPPA) de Taquara, a delegada titular, Rosane de Oliveira, e os filhos da vítima, Cassiane Leonor Sartori, Thiago Sartori e Bruno Wagner Sartori, revelaram detalhes de um crime que comove toda a região do Vale do Paranhana – a tentativa de homicídio contra Marilene Wagner, 60 anos, diretora da Câmara de Vereadores de Taquara. Marilene foi atingida por quatro disparos de arma de fogo, por volta das 4h30min desta quinta-feira (22), na ERS-020, junto ao Rio dos Sinos, ao retornar de um passeio que havia feito a Porto Alegre com seu ex-companheiro, José Antônio Sartori, 61 anos, acusado de ser o responsável pelos disparos.
De acordo com a delegada Rosane, o casal estaria tentando uma reconciliação, e havia saído para ir ao cinema e aproveitar a noite juntos. “Por volta de 3h, o acusado informou a Marilene que deveriam retornar a Taquara. Ele nos contou que, ao se aproximarem da ponte do Rio dos Sinos, houve um problema mecânico no carro, o que desconfiamos, pois, o carro tem menos de sete mil km rodados, praticamente novo. Logo depois ele desceu, colocou um par de luvas e descarregou a arma contra o vidro do carro, onde estava Marilene. Foram seis disparos, sendo que quatro atingiram a vítima”, relatou a delegada.
Ainda segundo Rosane, após os disparos, o indivíduo levou a vítima a Igrejinha, provavelmente para esperar que ela morresse. Chegando lá, ele teria verificado o pulso de Marilene. Como viu que ela não havia falecido ele tentou esgana-la. Ela fingiu estar morta e o homem resolveu trazê-la para o Hospital Bom Jesus, de Taquara, e deu a desculpa de que eles haviam sido assaltados. “Ele premeditou todos os passos. No dia seis de agosto, ele forjou o furto de uma arma que tinha em casa e registrou a ocorrência de furto. Hoje, os filhos encontraram uma munição em cima da cama do casal. Essa munição é do mesmo tipo que foi usada nos disparos. Certamente, ao carregar o revólver, ele deixou uma das munições cair e não se deu conta. Além disso, ele usou luvas no momento dos disparos, o que corrobora essa hipótese”, afirmou a Rosane de Oliveira.
Os três filhos de Marilene estavam muito abalados no momento da coletiva. A delegada informou que eles estariam presentes no momento da entrevista coletiva, mas não iriam participar. Em dado momento, a emoção falou mais alto e eles aproveitaram a oportunidade para relatar sobre tudo que estava acontecendo em suas vidas. Os três contaram que o pai estava divorciado de sua mãe desde 2001. Eles ficaram afastados de José Antônio cerca de oito anos. Há mais ou menos dois anos ele começou a procurar pelos filhos novamente, dizendo querer reatar o relacionamento com eles. Pouco depois de ter reconquistado a confiança dos filhos, ele começou a conversar com Marilene. Eles resolveram dar uma nova chance ao relacionamento e fazia cerca de um mês que o homem estava morando na casa de Marilene.
“A agressividade por parte dele sempre esteve presente no relacionamento com nossa mãe. Desde pequena, eu lembro que ele gritava muito, inclusive já havia agredido ela. Mas, o que a gente ia fazer? Éramos apenas crianças”, lembrou Cassiane. A filha do casal disse que ao chegar no hospital, ainda na manhã do crime, o primeiro que ela encontrou foi o pai, que veio lhe abraçar e disse: “Fica tranquila filha, tua mãe vai sair bem dessa”. Logo depois, um soldado da Brigada Militar a retirou de perto do pai e disse que sua mãe precisava falar com ela. Nesse momento, Cassiane foi beijar a mãe e ela pediu para não ser beijada “porque estava com muita dor”. Também nessa hora a mãe contou a ela que seria o pai o autor dos disparos.
Bruno Wagner, um dos filhos de Marilene, também contou o que sentia. De acordo com ele, não há um motivo claro para o pai ter feito isso. Bruno disse que eles não têm grandes posses, não há nenhum tipo de disputa judicial e a mãe não namorava ninguém há tempo e, portanto, não poderia ser por ciúmes. “Quem conhece minha mãe sabe como ela é. Agora que ela iria se aposentar, curtir a vida. Ele premeditou tudo isso, eu tenho certeza. No dia em que ‘furtaram’ a casa deles, não havia ninguém no local. E o mais engraçado, levaram só a arma no furto. Ele é um psicopata, só pode ser”, avaliou Bruno.
Thiago Sartori, o terceiro dos filhos de Marilene a falar, estava visivelmente abalado, assim como os outros irmãos. Thiago relatou apenas não entender o motivo de o pai ter feito isso. “A parte final disso tudo eu sei. Minha mãe no hospital e meu pai preso. O que não sei é porque ele fez isso? Afinal de contas, que fantasia ele criou na cabeça dele para cometer esse crime? Só posso pedir muitas orações pela vida de minha mãe”, encerrou emocionado.
Os filhos relataram que Marilene passou por seis horas de cirurgia, no HPS de Canoas, e segue internada na UTI da casa de saúde. Conforme Cassiane foram quatro tiros que perfuraram estômago e intestino. Um dos disparos atingiu o braço e quebrou o osso Rádio, pois ela teria tentado se defender. Outro disparo atingiu o Ilíaco, osso que fica acima da bacia. “Ela fez várias transfusões de sangue. A boa notícia é que ela está com os batimentos e a pressão estável, mas ela ainda não conversa”, destacou a filha.
A delegada Rosane informou que José Antônio Sartori, acusado pelo crime, foi preso em flagrante, ainda no hospital, mas que ele continua negando participação no fato. “Ele ainda afirma que eles foram assaltados, apesar das provas. Essa hipótese já está descartada. O próximo passo da investigação é descobrir o real motivo para essa tentativa de feminicídio”, finalizou a delegada.
Assista a íntegra da coletiva:
[aiovg_video id=141136]


