
O Tribunal do Júri de Igrejinha marcou para 30 de novembro, às 8h30, o julgamento de Nicole Caroline de Oliveira Machado, acusada de matar o ex-namorado Micael Douglas Müller, de 28 anos. A sessão será realizada no Fórum de Igrejinha.
A informação foi repassada pelo advogado Luiz Fernando Cunha, que representa a família de Micael. Conforme o defensor, estão previstos os depoimentos de 10 testemunhas e o interrogatório da ré durante a sessão.
Após a produção da prova oral, terão início os debates entre o Ministério Público, o assistente de acusação e os advogados de defesa. A partir dos debates, os jurados deverão analisar as teses apresentadas pelas partes antes da votação dos quesitos submetidos ao Conselho de Sentença.
Nicole será julgada por homicídio triplamente qualificado. A acusação sustenta as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
A decisão que determinou a submissão de Nicole ao Tribunal do Júri foi mantida pela Justiça. Em fevereiro deste ano, a Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) também negou novo pedido de habeas corpus apresentado pela defesa e manteve a prisão preventiva.
Segundo informações apresentadas no julgamento do habeas corpus, durante as investigações Nicole teria mudado de endereço sem comunicar as autoridades e utilizado o nome “Caroline” enquanto trabalhava em um salão de beleza em Capão da Canoa. A defesa contestou a manutenção da prisão.
Nicole permanece recolhida no Presídio Estadual de Torres.
Entenda o caso
Micael Douglas Müller foi morto na madrugada de 10 de junho de 2025, na residência onde morava, na Rua Pinheirinhos, bairro XV de Novembro, em Igrejinha. Segundo a denúncia do Ministério Público, Nicole, então ex-namorada da vítima, teria ido até o local e atacado Micael com uma faca.
A denúncia aponta que Micael foi atingido por pelo menos sete golpes, sendo seis na região peitoral esquerda e um no ombro esquerdo. O laudo de necropsia apontou hemorragia interna provocada por instrumento pérfuro-cortante como causa da morte.
De acordo com o Ministério Público, os primeiros golpes ocorreram quando Micael ainda estava em pé e outros foram desferidos depois que ele caiu ao chão. Para a acusação, a dinâmica caracteriza o emprego de meio cruel. O MP também sustenta que a vítima foi surpreendida e não teve possibilidade de defesa.
A defesa de Nicole sustenta que ela agiu em legítima defesa. Os advogados também afirmam que informações sobre condenações anteriores de Micael por violência doméstica e tráfico de drogas deveriam ter sido consideradas na análise do caso.
Nicole foi presa preventivamente e, posteriormente, a Justiça determinou que ela fosse submetida ao Tribunal do Júri. Em fevereiro de 2026, o TJRS manteve a prisão preventiva ao negar novo habeas corpus apresentado pela defesa.


