Perfil

CASSIANO GOTTLIEB

25 anos, trabalha no atendimento da biblioteca da Faccat e com produção de conteúdo na Rádio Amizade, de Igrejinha. Filho de Angela Maria dos Santos Gottlieb e Renato Gottlieb.

Conte um pouco mais sobre sua história: Moro desde os cinco anos em Taquara. Desde cedo tive interesse por informação e relacionamento com as pessoas. O tempo foi passando e quis trabalhar com isso. Nasci com deficiência física e, até os 16 anos, fiz uma série de buscas para descobrir a causa específica. Não obtive resultados concretos. Eu tenho todos os movimentos, a única coisa que não faço é ficar em pé. Estudei o ensino fundamental no Rodolfo, mais 4 anos e meio no Cimol, ensino médio e técnico de informática. Estou na metade final do curso de publicidade e propaganda, dentro de dois anos estarei formado.
No começo da minha fase mais independente com a cadeira de rodas, percebi que algumas complicações em relação ao acesso poderiam se resolver através de alterações pequenas, mas que as pessoas pensam ser grandiosas, bastava que a porta fosse mais larga, por exemplo.

Por que o Dia Nacional da Pessoa com deficiência precisa ter maior divulgação? As pessoas precisam de uma consciência mais ampla da necessidade de oferecer estruturas iguais, tanto física, quanto receptiva. Isto porque vivemos um período de quebra de paradigmas, as pessoas são iguais, mas diferentes em suas individualidades e dificuldades – a física é apenas uma delas. Há muitas outras em diferentes aspectos e proporções. O fundamental é que as pessoas garantam o direito de acesso com igualdade ao que quer que seja. Esse dia marca conquistas e rompe o paradigma das diferenciações.

Como tratar a pessoa sem deficiência que ainda segrega? Primeira coisa é pensar que enquanto essa pessoa estiver viva, há possibilidade de pensar diferente. Precisamos conversar e entender a forma como ela pensa a situação da deficiência, por exemplo. Questionar se ela quer se aproximar para entender, caso ela não queria, não esteja aberta, é um direito e cada um segue sua vida. O justo é todos receberem a mesma condição, o mesmo acesso, sem benefício extra. Outro problema é a desigualdade velada, as pessoas fazem ações sociais voltadas à questão, sem contatar os que enfrentam o problema todo o dia. Quem melhor pode fazer mudanças para determinada área é quem tem propriedade, é quem vive nela e conhece bem. Os espaços precisam ser mais abertos, para que todos possam dar a sua contribuição.

Como você vê sua geração contribuir para a sociedade atual? Nossa geração é inquieta, tem consciência mais expansiva. A próxima estará mais evoluída que nós. Todos querem fazer, mudar, acredito que o caminho vai sendo feito conforme vamos experimentando.

Como você se define? Alguém que busca sempre melhorar, aperfeiçoar. Sou verdadeiro em cada ato.

 

Uma habilidade especial: conversar e escrever.

O que gosta de fazer no tempo livre? Gosto de acompanhar os esportes. Sou torcedor do Grêmio.

 

Um livro: qualquer um de aventura, literatura gaúcha, crescimento.

Um filme: comédia e terror.

O que você gosta de ouvir: Presto muita atenção nas letras, por isso posso gostar do rock até o sertanejo universitário.

Quem você tem como exemplo? Meus pais, pois sempre buscam dar suporte para quem precise deles.

Seu sonho: construir minha estabilidade, constituir uma família, seguir sendo uma pessoas que busca aprender.

Deixe uma mensagem aos leitores do Panorama: a melhor forma de se sentir bem consigo mesmo é proporcionar às pessoas coisas que deixem elas felizes. É importante perceber que, por mais dificuldades que tenhamos, há sempre alguém que está em uma situação ainda mais complicada.