
Do “Meu cinicário” – Por que oferendas de comidas a Iemanjá não são doadas aos necessitados? Porque são eles próprios que fazem as oferendas, implorando comida.
CÉSAR E POMPEIA
No dia 30 de janeiro passado, as circunstâncias me forçaram a lembrar de um episódio semi-histórico, envolvendo o general romano Júlio César e sua segunda esposa, Pompeia. Escrevi “semi-histórico” por ser um daqueles boatos que, mesmo envolvendo personagens reais, têm origem rocambolesca. Uma espécie de fake news de 2100 anos, transformado em um belo paradigma de comportamento moral nos dias de hoje.
Explicando bem resumidamente! Circulou por Roma, em 62 a.C., na época governada por Júlio César (um dos muitos – talvez o mais famoso) a história de um jovem apaixonado por Pompeia, sua bela esposa. O jovem entrara na casa do governador, durante uma festa tradicional, à qual só podiam comparecer mulheres. O amoroso burlara a vigilância disfarçado de… mulher. O poderoso marido, ao saber do acontecido, nada fez contra o ousado, mas divorciou-se da esposa. Indagado sobre as razões dessa decisão, teria proferido a frase tornada famosa: “À mulher de César não basta ser honesta, tem de parecer honesta”.
Foi meu pensamento quando li a notícia de que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, havia comparecido à final da Copa Libertadores da América, no Maracanã, no Rio de Janeiro, em partida disputada, ironicamente, entre dois clubes paulistas. E qual seria o problema? Era, apenas, uma disputa esportiva. Engano completo, devido a algumas circunstâncias por demais conhecidas das gentis torcidas. A cidade comandada por Covas, está no centro de uma efervescência política devida à pandemia do COVID-19. A principal estratégia do estado é um ferrenho lockdown, apoiado pelo prefeito por concordar totalmente com o governador. É o tal do “fique em casa”. O prefeito partilha o eslôgan, mas, pelo jeito, não curte. Era num outro estado, que é que tem? Tem que além do “faça o que eu mando, não o que eu faço”, o prefeito está licenciado por ter sido paciente de uma quimioterapia para tratamento de câncer. Ou seja, ele pertence a um grupo de altíssimo risco. Esses dois fatos me trouxeram à mente a celebérrima locução de César, transformada numa grande antítese pelo personagem atual: ele não pareceu honesto e, muito pior, não foi honesto.
Vem-me outra lembrança, desta vez, cinematográfica. É de um filme brasileiro de 1969, cujo diretor, coincidentemente, tem o mesmo prenome do autor da citação feita acima, Júlio (Bressane). O título é uma piada pronta: “Matou a família e foi ao cinema”. Ou, atualizando, “Matou a cidade e foi ao futebol”.
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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