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Esta postagem foi publicada em 19 de julho de 2013 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Chororô

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Infelizmente, para os alunos, aqueles que sabem como fazer a escola ideal
estão bem longe das salas de aula. 

CHORORÔ

Como é bom atirar pedras nas vidraças alheias! Sim, tem de ser na janela dos outros, porque poucos têm o peito de atirá-las nas suas próprias. Claro, estou falando figuradamente. As pedras às quais me refiro são aquelas que atingem as administrações públicas com a intenção de quebrar-lhes os vidros, como acontece com as casas abandonadas. A gente quer, mesmo, é mostrar as fraquezas dos outros. Essa verdade aparece em toda a sua plenitude no campo político, principalmente, quando ocupamos funções oposicionistas a um governo. Esquecemos, lamentavelmente, que, num sistema democrático, pelas alternâncias ocasionadas pelas eleições, há grandes chances de nós sermos a vidraça de amanhã e, assim, levar as pedradas. Não adianta, a gente não aprende! Se o bom é azucrinar, vamos lá, azucrinemos. Consequentemente, quando as engrenagens dos acontecimentos girarem, precisamos aguentar o tranco. Como se diz no popular, “vai ter volta; ah! se vai!”. Mas é muito doloroso aceitar a situação sem chiar.
Estou escrevendo isto enquanto leio uma reportagem da Zero Hora do sábado, 13 de julho, tratando da assembleia do sindicato dos professores estaduais, o CPERS, encerrada na sexta-feira, quando foi decidido não ser convocada uma greve, por não haver clima de mobilização. Até aí, tudo dentro dos conformes: sindicatos dão um dedo por uma grevezinha e os patrões, vejam só, nunca entendem. O que me chamou a atenção, neste caso, foi o patrão ser representado por um ex-mandatário desse sindicato, o hoje Secretário de Educação, José Clóvis de Azevedo. Caras, me espantou a desfaçatez do cidadão. Tudo aquilo que, antes, reclamava dos governos, agora, ele faz igual.
O secretário, defendendo um governo não cumpridor da lei de pagar o piso salarial nacional aos professores, aliás, sancionada pelo seu atual chefe, na época em que era ministro, tem a coragem de chorar as pitangas, desabafando, segundo o jornal, que “nunca se reconhece nada”. Como se, um dia, ele próprio houvesse reconhecido qualquer coisa.
Mas não é verdade, secretário! Alguém reconhece sim. Eu estou reconhecendo neste texto. Estou reconhecendo algo bem desabonador. A pirotecnia do aumento de 76,6% – fantástica a precisão do 0,6% – concedido ao professorado até o final de 2014 é um mimo de engenharia enrolativa (olhe a inflação, secretário). E mais, o homem tem coragem de argumentar com obras em escolas, quando, quase diariamente, se vê na televisão o estado de abandono de tantos colégios estaduais.
Agora, o pior de tudo, é a ameaça deixada em suas palavras: “só vamos pagar as promoções se houver acordo” (promoções, outra das reclamações do sindicato). Olhe aí, presidente do CPERS – a senhora, talvez vidraça num futuro governo –, o homem quer briga.

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