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Esta postagem foi publicada em 1 de março de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Ciência política, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Ironia: quem mais fala em democracia, é, justamente, quem menos aceita o resultado duma eleição, o processo fundamental da democracia.

CIÊNCIA POLÍTICA

Não se engane com o título deste comentário. Ciência Política é  disciplina acadêmica, estuda sistemas, processos e fenômenos políticos vigentes em instituições, governos ou estados. “Ciência” nos evoca assuntos de funcionamentos com resultados sempre previsíveis do tipo 2 + 2 = 4. Duas ou três crônicas atrás, com O Gato de Schrödinger, vimos não ser bem assim, mesmo se tratando da mais científica das ciências, a Física. Sobre todas as atividades, naturais ou provocadas, paira um quê de incerteza, de indefinição.

Quando imaginei o título, esqueci a definição acadêmica. Quis fazer um trocadilho, com uma preocupante situação vigente no nosso país. Aliás, no mundo. Dar a entender que a doença COVID-19 tem causado um desastre passível de ser evitado com simples ações, como lockdown; distanciamento social; uso de máscaras; álcool gel nas mãos; limpeza das solas dos sapatos, determinados por governadores, tudo Isso mostrou a mistura dos significados dos conceitos “ciência” e “política”. Com toda a incerteza de Schrödinger, era a política, interferindo na ciência. Passou a ser usado o termo “negacionista” para classificar, com desdém, quem manifestasse alguma dúvida quanto a bons resultados dos conselhos “fique em casa”. Um dos procedimentos mais básicos da ciência – duvidar – passou a ser alvo de ofensas. Políticos cientistas (evite confundir com cientistas políticos) se acharam os reis da cocada, apesar dos parcos resultados. Entretanto, deu para concluir: lockdown só à base da força, como é usual em terras livres das mesquinharias capitalistas e de onde não se tem nenhuma informação, pois a própria informação está trancada em casa. Então, chegamos à fase da única solução para o grande desastre pandêmico: a vacina. Agora, sim, esses negacionistas vão ver como a gente consegue acabar com o mal.

Sou favorável a vacinas! No primeiro dia da pandemia, fui vacinado contra a gripe, era o início da campanha (sim, sei, é outra vacina). Mas fiquei sem proteção contra o que ela deveria proteger-me. Enquanto escrevo, curto uma forte gripe. Dor de garganta, tosse, espirros e nariz parecendo uma torneira. Por prevenção contra a COVID-19, fiz um teste. Negativo. Gripe comum!

Minhas conclusões deixariam os políticos cientistas com uma pulga atrás da orelha! Ou deveriam! Obedeço o distanciamento; uso máscara; desinfeto as mãos com álcool gel; limpo as solas dos sapatos, não sinto saudade do futebol. Como consegui ficar gripado, se, por princípio, é um vírus mais simples que o vilão famoso? Serão esses os procedimentos científicos que nos livrarão da COVID-19?

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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