Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Oba! Já tenho o meu “tablet”. Agora só falta saber para o que serve
CITAÇÔES
Sou, descaradamente, um sujeito apaixonado por citações. Vocês devem estar lembrados que até bem pouco tempo, meus textos sempre começavam com alguma frase do “Meu livro de citações”. E muitos leitores gostavam de ler aquelas frases. Só interrompi as citações porque os tempos são modernos e a modernidade exige o tuíter. Mas, no fundo, continua o mesmo sistema. A diferença é apresentar, agora, um trabalho mais aberto, pois todos têm acesso ao conjunto da obra, apesar de pequena, com apenas 362 tuítes até agora; imagine quem escreve milhares de frases, e são tantos – Luan Santana, quase cinco mil, e Ivete Sangalo, mais de 24.000 – numa grande produção intelectual, principalmente a de Ivete, a Veveta (apud Xuxa).
Porém, eu quero é falar de outro tipo de citações. Daquelas que estão além do escopo de uma rede social. Falo das citações em trabalhos acadêmicos. Eles estão recheados delas! Notem, inclusive, que ao falar em Xuxa, acima, escrevi a palavra apud. Foi só para entrar no clima. Ela é usada às mancheias em monografias, dissertações e teses. Nauseantemente, usada em escala industrial. Quem quiser ter uma ideia do significado de overdose, fale das citações nos trabalhos científicos, principalmente, naqueles da área humanística.
Por qual razão toco neste assunto? Aqui, sou obrigado a citar, pois vou usar a frase de outrem – recebi um texto publicado na Folha de São Paulo e assinado por Luiz Felipe Pondé. Ao mencionar o livro “The Old Stone House”, de Edmund Wilson, de 1933, ele lembrou o jornalista Paulo Francis, para quem Wilson foi “o último grande crítico literário de uma tradição na qual o crítico não se escondia atrás de algum teórico, tipo Blanchot ou Derrida, para repetir o que todo mundo diz e com isso não correr riscos. Wilson enfrentava o autor cara a cara, dizendo o que pensava dele, sem se preocupar com o que a ‘indústria da crítica acadêmica’ diria”.
Pondé aduz, ainda, falta de coragem à academia. Não quero chegar a tanto. Encontro, isto sim, sobra de preguiça. Parece-me que as universidades, simplesmente, fizeram a fama e deitaram para uma soneca. Para trabalhar menos, não criam coisas novas, apenas repetem situações e pensamentos de autores e os alunos aprendem a também repetir esses pensamentos (provando que alguma coisa se aprende no curso superior, embora não, necessariamente, o melhor). No mundo de hoje, é, praticamente, impossível encontrar-se um pensamento original. Porém isso não significa proibição de tentar. Não devemos esquecer que quando optamos por qualquer viés teórico, certamente, estamos descartando outros vieses, muito deles proclamando, com toda a propriedade, o oposto.
É lícito estudar autores e conhecer-lhes as ideias. Mas a função fundamental desses estudos é a formação de um sólido pensamento próprio. Fora isto, corremos o risco de passar a citar Santana e Sangalo.


