Do meu tuíter, @Plinio_Zingano — Xororó quer ser avô. Pelas declarações de Sandy à revista Playboy, é melhor ele procurar o Júnior.
CLAREZA
É perigoso lidar com as palavras. Essa fabulosa qualidade do ser humano de expressar os pensamentos é, em boa parte das situações, traumática. O trauma pode ser causado tanto em quem é receptor quanto em quem é seu emissor. Não há nada mais inespecífico que um texto oral. Essa inespecifidade transmigra exponencialmente para o texto escrito. Como exemplo, vejam as leis!
Uma lei é o suprassumo da negociação entre os homens. Em tese, desde a proposição, até a aprovação, passa por todo um processo de dissecação; nele, seus debatedores fazem exatamente isso: debatem. O objetivo é alcançar a melhor forma de regulamentar alguma coisa. Assim mesmo, depois de promulgado o texto, haverá espaço para novas interpretações. Uma lei pode ser discutida à exaustão. Aqui, os advogados deitam e rolam, navegando, inteligentemente, nesta característica da comunicação humana, pois este é o seu campo de trabalho.
Quando alguém me pergunta se há alguma coisa a fazer para se evitarem os mal-entendidos, digo desconhecer uma solução perfeita. Devemos, isto sim, exercer a máxima vigilância para os resultados serem o mais próximo daqueles esperados. Entretanto, mesmo assim, sempre ficará uma área de penumbra entre a emissão da mensagem, e sua recepção. Na distribuição das qualidades humanas, a clareza não estava entre elas.
Estas considerações me levam ao passado. No segundo ano da minha carreira de professor em Parobé, na então escola João Mosmann, 1º semestre de 1997, numa sétima série noturna, aula de Língua Portuguesa, cometi um deslize na avaliação do comportamento humano. Ainda cometo esses erros, como todos! Porém, nossos atos, mesmo aqueles mais melindrosos, vão se perdendo na névoa dos dias pretéritos e são, enfim, esquecidos (muita coisa é apenas bobagem e o tempo lhes dá importância devida, ou seja, nenhuma). Mas este caso quase me custou caro. E eu só soube meses mais depois do acontecido.
Certa noite, uma aluna, uma senhora, criou um exemplo sobre o assunto tratado. Vi, na frase, a possibilidade de ir um pouco além do habitual. Embora não me recorde do exemplo, havia, nele, uma característica especial do idioma: um idiotismo. E resolvi ensinar esse nome aos alunos. Tomei cuidado de frisar que era uma nomenclatura gramatical para um determinado fato e que não representava uma falha mental de quem havia criado a frase. Não era uma “idiotice”. A senhora concordou comigo e todos receberam a lição tranquilamente. Pelo menos, eu acreditei. No fim do ano, descobri que meu emprego por pouco não fora detonado. A aluna era esposa do presidente do CPM da escola e eles fizeram de tudo para mandar embora aquele “professor grosseiro”.
Felizmente, a história terminou melhor que a encomenda. Ficamos amigos. Além da senhora, três filhos seus ouviram, depois, minhas palavras, e a menina, agora mãe, na semana passada me avisou que já está preparando o seu próprio filho, hoje no 2º ano, para também ouvi-las um dia. É só eu aguentar até lá. Vou tentar!


