Claudia de Cristo, 30 anos é natural de Palmitinho. Solteira, é assistente social, formada pela Ulbra, especialista em Educação Inclusiva pela Faccat. Atua na comunidade terapêutica Criar Vitória, de Parobé, e na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (Apromin) de Taquara, entidade da qual também é diretora administrativa.
Conte-nos sobre sua trajetória profissional.
Em Parobé, onde moro, temos o predomínio da área calçadista e, já desde o ensino médio, escolhi ser assistente social, pois queria realizar um trabalho focado em pessoas. Em 1997, no meu primeiro ano de faculdade, comecei a atuar como estagiária na Secretaria de Assistência Social de Parobé. Ao todo trabalhei lá durante 13 anos e ajudei a dar início ao serviço Sentinela (combate à violência e exploração sexual infanto-juvenil), juntamente com outra colega. Ainda durante o estágio necessário para a faculdade, procurei a Apromin. Um tempo depois, a assistente social que foi minha supervisora precisou sair da entidade e fui convidada para trabalhar lá. Já em outubro de 2008 surgiu um convite do Adilson (Rodrigues) para atuar na comunidade terapêutica Criar Vitória. Me identifiquei muito com o trabalho na área da dependência química e me apaixonei.
O que representa para você ser diretora administrativa da Apromin?
A Apromin vem passando por um processo de mudança e, tanto a congregação das irmãs, quanto a diretoria técnica buscavam alguém para ser a nova diretora administrativa. Então, em dezembro de 2009 recebi o convite para ocupar o cargo. Tratava-se de um novo papel num lugar em que já trabalhava e isso representa uma responsabilidade muito grande. Ser diretora da Apromin significa estar numa vitrine que, por trás, possui uma série de crianças, as quais, mais do que representar, tenho que proteger. E ao mesmo tempo que preciso ser um muro, também preciso de quem está do lado de fora. Acredito que qualquer pessoa teria o mesmo desafio: lapidar o que tem que ser lapidado e preservar o que é bom.
Como você vê a evolução das ações de ajuda ao próximo?
Historicamente fazer caridade era dar o peixe dentro de um sistema muito paternalista. Acredito que dentro da ideia de responsabilidade social, tenhamos evoluído para melhor, desde que ela seja entendida de uma forma mais ampla. Para muitas pessoas, o valor financeiro cobrado por determinado produto de uma empresa que pratica a responsabilidade social passa a ter um valor simbólico muito maior. Isso significa mais do que um trabalho social, pois acaba vendendo uma institucionalidade. Contudo, as ações precisam ser ligadas ao momento que se vive e não podem ser somente algo visual. Através do trabalho social as pessoas precisam se sentir mais leves e não apenas se enxergar assim. Tem que ser mais do que algo visual para quem faz e recebe, tem que existir um sentimento de parceria.
Quais são suas principais características pessoais?
Sou autêntica, digo o que tenho que dizer e isso, às vezes, acaba sendo um defeito, pois corro o risco de ser mal interpretada. Sou muito verdadeira, gosto de dar ideias, receber críticas, às vezes sou ranzinza – quando acordo, então… (risos), e honesta, algo que aprendi com meus pais.
O que você gosta de fazer a título de lazer?
Gosto de subir um morro e tomar chimarrão, e estar sempre com as pessoas que amo.
Quais são seus planos para o futuro?
Na parte pessoal, pretendo continuar achando tempo para cuidar das pessoas que amo e que me amam. Na área profissional, assim que estabilizar os períodos conturbados, penso em fazer mestrado na área social.
Um lugar: Tenho vontade de conhecer a Itália, mas, para mim, lugar bom é aquele em que estamos com as pessoas que gostamos.
Mensagem: Penso que tem lugar para todo mundo e que todo mundo traz em si uma capacidade nata. A diferença é o tempo com que cada um se descobre e se aperfeiçoa.


