
A 9ª edição do Colecionarte, que ocorre neste final de semana, no Parque de Eventos Almiro Grings (parque da Oktoberfest), em Igrejinha, marca a consolidação do município como um dos principais polos de multicolecionismo do Brasil. Organizado pela Associação de Amigos da Cultura, História e Colecionismo (ASACHIC), com apoio da Prefeitura de Igrejinha, o evento atrai expositores e visitantes de diferentes regiões do país e do exterior, ocupando amplamente o parque com uma programação gratuita e diversificada.
Realizado após a suspensão da edição de 2024 em razão da enchente que atingiu a cidade, o evento assume um caráter simbólico. “Transformar o ginásio do Parque Almiro Grings, que no ano passado foi um centro de recebimento de donativos durante a enchente, novamente em espaço de cultura, lazer e convivência é uma verdadeira celebração da resiliência de nossa comunidade”, destacou o vice-prefeito e secretário municipal de Cultura, Juliano Müller de Oliveira, em entrevista à Rádio Taquara.
Estrutura expandida e programação ampliada
A edição de 2025 conta com 87 expositores e mais de 200 coleções diferentes. Pela primeira vez, o evento ultrapassa os limites do ginásio principal e ocupa também o prédio da antiga biblioteca, o pavilhão 2 e contempla, ainda, uma praça de alimentação. Essa ampliação permitiu integrar novos eventos, como o encontro de motociclistas, neste sábado (17), e o de carros antigos, no domingo (18), além da tradicional meia maratona, também no domingo.
De acordo com Luiz Zimmer, presidente da Asachic, a expansão se deu pela crescente procura de expositores e pela necessidade de acomodar o evento com maior conforto e diversidade. “Estamos ocupando praticamente todo o parque e unindo diferentes públicos, desde colecionadores até apreciadores de esportes, gastronomia e cultura local”, explicou.
A praça de alimentação, organizada em parceria com a Associação dos Ambulantes de Igrejinha, conta com food trucks e chopp artesanal, e o palco instalado no local recebe apresentações de artistas locais ao final de cada dia. A Associação dos Cervejeiros Artesanais de Igrejinha (Acervai) também é parceira da organização.
Participação internacional e reconhecimento crescente
O Colecionarte de 2025 conta com a presença de expositores vindos de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e também do Uruguai. Daniel, colecionador uruguaio, participa pela primeira vez do evento e expressou sua surpresa com a estrutura. “Fiquei impressionado com o tamanho e a organização. Já participei de eventos em Colônia do Sacramento, mas nada se compara ao que encontrei aqui. Voltarei com certeza”, afirmou.
Leonardo Barcellos, presidente do Clube Filatélico e Numismático de Taquara, acompanha o evento desde suas primeiras edições. Ele destacou a importância da integração entre comunidade, escolas e colecionadores. “É o maior evento de multicolecionismo do Brasil. A participação ativa dos estudantes e o apoio da prefeitura transformam o Colecionarte em uma referência”, avaliou.
Entre os destaques está José Luiz de Ávila, de Dois Irmãos, presente desde a primeira edição. Este ano, ele apresentou uma exposição com caixas de fósforos que contam os 200 anos da imigração alemã. “As caixinhas mostram não apenas a evolução do produto, mas também aspectos culturais e sociais daquela época”, explicou.
Também estreando em Igrejinha, o numismata paulista Hélio César Xavier elogiou a organização e o envolvimento do público. “É um evento de alto nível, que integra história, cultura e entretenimento. É gratificante ver crianças se encantando com objetos que nunca tinham visto”, comentou.
Colecionismo como ferramenta de educação e memória
Além da diversidade de itens e da comercialização, o Colecionarte também se destaca por seu viés educativo. Alunos da rede municipal visitaram o evento na sexta-feira e interagiram com os colecionadores, em um formato que valoriza a história, a organização e a preservação da memória.
Segundo Juliano Müller de Oliveira, essa proposta transgeracional é um dos diferenciais do evento. “O Colecionarte cria conexões entre avós, pais e filhos. As crianças passam a compreender como era a vida antes do digital, e isso é um exercício de empatia e valorização da cultura”, disse.
Para Luiz Zimmer, o evento também impulsiona a economia criativa e o turismo local. “Com visitantes de fora, movimentamos a rede hoteleira, o comércio e mostramos o potencial cultural de Igrejinha”, afirmou.
Futuro
Com a boa receptividade da edição atual, a Asachic já projeta o Colecionarte 2026. Um dos expositores já confirmados é de Recife, indicando que o evento seguirá ampliando seu alcance geográfico. A associação também pretende continuar contribuindo com ações culturais permanentes, como o restauro da Casa de Pedra.
Texto: Vinicius Linden | Fotos: Guilherme Kaiser


