
A 32ª edição do Festival de Teatro do Vale do Paranhana (Festivale) teve início nesta segunda-feira (30) em Rolante. O evento irá reunir grupos teatrais de diferentes partes do Brasil para uma semana de apresentações gratuitas. A abertura oficial aconteceu na Sociedade Carlos Gomes, com o espetáculo infantil ‘O Violinista Mosca Morta‘, do artista Pedro Caroca.
Na peça, o palhaço músico Seu Cocó tenta, com muito esforço e trapalhadas, realizar sua performance musical, enfrentando obstáculos cômicos que envolvem desde seu próprio despreparo até o surgimento inesperado de uma mosca que o persegue durante toda a apresentação. A encenação, que mistura comédia pastelão, música ao vivo e elementos clássicos da palhaçaria, encantou crianças e adultos.
Ao longo da semana, 17 grupos teatrais de diversas regiões do país subirão ao palco da Sociedade Carlos Gomes, trazendo ao público montagens do Amazonas, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Consolidado como um dos festivais de teatro mais tradicionais do estado, o Festivale se destaca pelo papel na formação de plateias, na valorização das artes cênicas e no estímulo ao intercâmbio cultural entre artistas de diferentes origens e linguagens.
A entrada é solidária: 1kg de alimento não perecível. Confira a programação completa aqui.
“Um espetáculo que convida a criança a criar junto”, diz Pedro Caroca
Logo após deixar o palco, ainda ofegante da estreia no Festivale, Pedro Caroca falou à Rádio Taquara sobre o espetáculo e a criação do palhaço Seu Cocó, que nasceu em 2016, durante uma oficina de iniciação com o artista Zé Reginno, em Brasília.
“Dois anos depois, fiz uma oficina com ele de montagem de números cômicos e levei o Cocó com o violino. Aquilo virou uma cena curta, e chamei outras pessoas para colaborar. O [diretor] Mafá Nogueira, que já me dirigia e também é músico, assumiu a direção e transformou em espetáculo”, conta Pedro, destacando a fusão entre música e palhaçaria.

Além de dirigir, Mafá também ensinou Pedro a tocar violino, o que se tornou elemento central da peça. O resultado é um trabalho sem texto convencional, ancorado na comédia física, que deixa espaço para a participação imaginativa das crianças.
“A gente não subestima a inteligência da criança, nem a capacidade dela de criar, de poetizar. O espetáculo deixa lacunas para elas completarem, serem co-criadoras da obra”, acrescenta o artista.
Atuando há anos com teatro e contação de histórias voltadas ao público infantil, Pedro reforça a importância desse diálogo:
“É o primeiro público com quem a gente fala. É assim que se formam plateias, pessoas e sociedade”.
Apresentando-se pela primeira vez no Festivale, e também com estreia do espetáculo no Rio Grande do Sul, o artista se diz encantado com a recepção.
“Um festival com 32 anos de história, programação o dia inteiro, público espontâneo, escolas, instituições e olateia lotada. Perfeito para trocar e celebrar o teatro. Que é o que a gente faz”, conclui.


