Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Há pessoas que vivem se achando. Outras, mesmo procurando muito, não conseguem.
COMO ÁGUA
Você já se deteve olhando o comportamento da água? Sim, a velha e boa água, tão em moda por causa de carrancudos ecologistas, que avisam, sem dó nem piedade, que vai acabar, se não economizarmos. E nos ameaçam, sem trocadilho, com o fogo do inferno como punição. Pois, por incrível que pareça, concordo com esses chatos. Eles têm razão! Não poderia ser diferente. Sem água, o inferno vai ser uma brasa, mora? (esta é do meu tempo de fã de Roberto Carlos pré-biografias-não-autorizadas).
Voltando à água, pense nela. Lembre a antiga história do “água mole em pedra dura…” e raciocine comigo. Além de fundamental à vida, é uma força mecânica difícil de controlar. Para entender bem o que quero dizer neste momento basta tentar instalar uma torneira, ou um chuveiro, não importa se você é um profissional ou um amador intrometido, como eu. Raras vezes conseguimos uma instalação perfeita já na primeira tentativa; e mesmo quando, após lançar mãos de todos os recursos tecnológicos, conseguimos evitar alguma perda de líquido nas junções, isso não significa uma vitória definitiva sobre os vazamentos. A água é semelhante à Annita: poderosa!
Calma, não estou fazendo um poema de apologia ao famoso precioso líquido. Em verdade, quero falar de estradas e caminhos por onde circulamos nós, seres humanos. A história da água é apenas um pano de fundo para estabelecer analogia com nossa maneira de agir em relação aos nossos deslocamentos. Você já notou? Nada parece deter as pessoas quando elas querem ir de um lugar para outro. São bem conhecidos aqueles caminhos que surgem no meio dos campos, atravessando canteiros, subindo e descendo morros. Por alguma razão esses caminhos aparecem, mesmo sem uma demarcação prévia. Simplesmente passamos a caminhar por ali. E não adiantam avisos de “Proibido pisar na grama”. As próprias estradas construídas para deslocamento de veículos, de maneira geral, aproveitam caminhos já existentes, traçados pelos passos das pessoas.
Notaram onde eu queria chegar? Como diante da água, também não existem barreiras para os deslocamentos das pessoas. Uma vez decidido o objetivo, os humanos vão até o ponto desejado, vencendo qualquer obstáculo. Estamos acostumados a ver pessoas atravessando rodovias em meio a um trânsito malucamente perigoso; adultos, velhos, crianças, ousadamente pulando cercas e muretas (inclusive, arrebentando concreto armado para criar a passagem). O ser humano vai sempre pelo trajeto mais curto, não importa o quão perigoso ele possa ser.
O que me espanta é a engenharia rodoviária, construindo passarelas, verdadeiras arapucas disfarçadas de travessias seguras, mas que exigem uma coisa não aceita pelas pessoas: desvio do seu caminho natural mais curto, ainda que seja só 50 metros mais longo. Será que nenhum estudioso jamais notou essa característica humana?
A decisão mais inteligente para atravessar uma rodovia a passo é a tal rodovia ser elevada quando ela cruzar um aglomerado urbano. Os automóveis e caminhões passam por cima. Os humanos passam por baixo sem mudar o caminho. É mais caro, mas é mais seguro.


