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Conheça a história da moradora de Igrejinha que teve uma reviravolta na luta contra o câncer

O tratamento de Josimari Moraes foi negado pelo Estado e ela precisou ir à Justiça para ter direito à medicação gratuita
Josimari e suas advogadas – Créditos: Guilherme Kaiser / Rádio Taquara

O artigo 196 da Constituição Federal determina que “saúde é um direito de todos e um dever do Estado”. Apesar disso, uma moradora de Igrejinha, após lutar contra o câncer por quase três anos, teve o custeio do seu tratamento suspenso pelo Estado.

Josimari Moraes, de 42 anos, descobriu o câncer já em metástase óssea, nível avançado da doença. Depois do diagnóstico de Carcinoma Invasivo Agressivo Grau Três, a mãe da Sarah, de apenas 9 anos, começou o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A medicação, feita a cada 21 dias, custa cerca de R$40.000,00 mensais e foi suspensa pelo Estado sem aviso prévio. A justificativa é que o Trantuzumabe 440mg não condiz com o quadro clínico da Josi. “Ela é uma medicação indicada para um câncer em estágio inicial. O câncer da Josi é mais avançado”, explica a advogada Rossana Gomes.

Apesar disso, o tratamento mostrou resultados positivos no quadro clínico da moradora de Igrejinha. “Essa medicação mantém ela bem, mantém ela estável. O relatório médico é soberano dentro de um processo judicial”, reitera a advogada.

Há cinco meses, Josi procura reverter a medida do Estado. Ao lado das advogadas Rossana Gomes, especialista em direito da saúde, e Jéssica Duarte, especialista na defesa de pacientes oncológicos, a moradora ingressou na Justiça contra a suspensão. “É muito frustrante nós termos que lutar para me manter viva”, desabafa.

Créditos: Guilherme Kaiser / Rádio Taquara

Segundo Josimari, recepcionista em um hospital, uma colega de trabalho também passa pelo mesmo drama. “Eu tenho uma amiga oncológica que ficou alguns meses sem fazer a medicação e o câncer dela voltou, porque ela também teve a medicação cancelada. Ela ainda está lutando, com seu advogado, contra a decisão”, relata.

Durante a conversa com a Rádio Taquara em que justamente contava o seu caso, uma reviravolta aconteceu. A especialista Jéssica Duarte ligou para dar uma boa notícia a Josi. “O que a gente tem pra te falar é: a justiça está sendo feita. Você vai ter todo o seu tratamento por tempo indeterminado”, disse em uma vídeo chamada à cliente.

A vitória foi um resultado da luta em segunda instância do trâmite judicial, já que na primeira, a Justiça decidiu favoravelmente ao Estado.

A notícia positiva traz uma trégua à batalha pela vida, travada por Josi, ao lado dos familiares, colegas e da comunidade. “Não vejo a hora de sair correndo aqui da entrevista e abraçar meu marido, minha mãe, meu pai e a minha filha e dar essa notícia pra eles. Vocês não têm ideia do quanto a gente estava esperando por isso”, diz, emocionada.

A advogada Rossana Gomes esteve presente no momento e relata a emoção da vitória processual. “Nós vimos essa decisão favorável, liberando a medicação. A Josi chegou aqui e eu fiquei esperando a dra. Jéssica ligar para que nós duas pudéssemos dar essa notícia pra ela em primeira mão”, relata.

A conquista é fruto de uma luta travada por Josi, com o apoio de muitas pessoas. Dentro do processo judicial, existe o prazo para que o Estado e a União recorram à decisão, mas enquanto isso as duas medicações serão liberadas o mais breve possível, visto o caráter de urgência do tratamento.

A moradora de Igrejinha vai continuar os trabalhos de arrecadação que havia iniciado, mesmo após a decisão favorável. O intuito é arrecadar recursos para as despesas com o processo judicial. “Minhas advogadas não trabalham de graça, né?”, brinca ela.

Josi segue com a venda das rifas, com sorteio previsto para o dia 8 de agosto. No dia 9, ocorre o brechó solidário na sua própria residência, além de outras ações que podem ser acompanhadas pelos perfis nas redes sociais @josimoraes_josi e @feitocomamorjosy.

A paciente, que, muito além disso, é mãe e esposa, finaliza sua fala com sorrisos e agradecimentos: “A nossa comunidade tem força. Eu fecho essa entrevista, dizendo e reforçando a frase que vocês já conhecem: eu tenho os melhores comigo e posso provar!”.

Josi e Sarah, sua filha – Arquivo Pessoal