Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: jornalismo@radiotaquara.com.br
Publicado em 22/11/2021 22:43 Off

CONSCIÊNCIA NEGRA – REFLEXÕES

Essa semana eu participei de uma atividade realizada por uma Escola com a temática da Consciência Negra. Lembrei das falácias da tal “consciência humana” e dos motivos que fazem deste dia 20 de Novembro uma data tão importante.

Podemos, obviamente, e devemos querer consciência humana, mas não podemos deixar de falar sobre a importância e o significado de uma data como essa na história do nosso país.

Recentemente li uma matéria do G1 que trazia como manchete “Negros têm mais do que o dobro de chance de serem assassinados no Brasil, diz Atlas; grupo representa 77% das vítimas de homicídio. Em 2019, taxa de homicídios por 100 mil habitantes negros foi de 29,2, enquanto a dos não negros foi de 11,2, de acordo com o Atlas da Violência 2021.”

A mim, esses dados por si só já bastariam para explicar a necessidade de termos uma data para pensar e discutir a Consciência Negra. Porém, para muitos não é suficiente e então seguirei elencando mais alguns motivos.

“Em 2019, as mulheres negras representaram 66% do total de mulheres mortas no país, com uma taxa de mortalidade por 100 mil habitantes de 4,1, enquanto a taxa entre mulheres não negras foi de 2,5.” – (Atlas da Violência 2021).

“Os pretos e pardos correspondem a cerca de dois terços das pessoas que não tem emprego – 64,2% – e das que trabalhavam menos horas do que gostariam ou poderiam – 66,1%.” (Agência Lupa).

“Em 2018, 47,3% das pessoas ocupadas pretas ou pardas estavam em trabalhos informais, segundo estudo do IBGE.” (Agência Lupa).

“Uma pesquisa do Instituto Ethos mostrou que os negros ocupam apenas 4,9% das cadeiras nos Conselhos de Administração das 500 empresas de maior faturamento do Brasil. Entre os quadros executivos, eles são 4,7%. Na gerência, apenas 6,3% dos trabalhadores são negros.  Pretos e pardos são maioria no mercado de trabalho somente entre aprendizes e trainees –  57% e 58% dos trabalhadores, respectivamente” (Agência Lupa). 

“Segundo o IBGE, o rendimento médio domiciliar per capita de pretos e pardos era de R$ 934 em 2018. No mesmo ano, os brancos ganhavam, em média, R$ 1.846 – quase o dobro.  Entre os 10% da população brasileira que têm os maiores rendimentos do país, só 27,7% são negros” (Agência Lupa).

“As taxas de pobreza e de pobreza extrema são maiores entre a população negra. Em 2018, 15,4% dos brancos viviam com menos de US$ 5,50 por dia no Brasil – valor adotado pelo Banco Mundial para indicar a linha de pobreza em economias médias, como a brasileira. Entre pretos e pardos, o percentual era maior: chegava a 32,9% da população. A pobreza extrema – quando a pessoa vive com menos de US$ 1,90 por dia – atinge 8,8% da população negra no Brasil e 3,6% da população branca” (Agência Lupa – Dados IBGE).

“Pardos e pretos são minoria no Poder Legislativo, apesar de esta representação ser vital para a construção de debates e projetos que diminuam a desigualdade no Brasil. Negros são apenas 24,4% dos deputados federais e 28,9% dos deputados estaduais eleitos em 2018” (Agência Lupa).

“A chance de um jovem negro ser vítima de homicídio no Brasil é 2,5 vezes maior do que a de um jovem branco” (Agência Lupa).

“A taxa de analfabetismo entre negros de 15 anos ou mais diminuiu nos últimos anos – de 9,8% em 2016 para 9,1% em 2018. Ainda assim, é maior do que o dobro da taxa de analfabetismo entre brancos da mesma idade, que ficou em 3,9% no ano passado, segundo o IBGE”.

Quase quatro séculos de escravização; uma liberdade sem condições dignas; discriminação e preconceito que atravessa gerações, e ainda temos quem pense que “não existe racismo no Brasil”. Me parece que não é o que os dados acima nos mostram.

Eu poderia seguir elencando dados que demonstram a necessidade do debate sobre a consciência negra no Brasil; mas aí parei e pensei: se ao ler o que já foi exposto aqui a pessoa seguir pensando que não precisamos desta data, melhor eu desistir e ir ensinar meu cachorro a dar a patinha!

Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
[Leia todas as colunas]

>> Deixe sua opinião:
Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: jornalismo@radiotaquara.com.br