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Consumo e longevidade em pauta no Taquara Summit

Entre os tópicos, Giane Guerra e Patrícia Palermo destacaram como a longevidade e o consumo do público 60+ estão transformando mercados e exigindo novas formas de atendimento e empreendedorismo
(Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

Entre os tópicos da palestra “Consumo, Empreendedorismo e Transformação”, realizada durante o Taquara Summit e conduzida pela jornalista Giane Guerra (RBS TV) e pela economista Patrícia Palermo, foram discutidos os impactos das mudanças demográficas nos hábitos de consumo e as novas oportunidades de negócios que surgem desse cenário.

Giane ressaltou que o Brasil vive o avanço da chamada “geração sanduíche”, formada por pessoas que cuidam dos filhos pequenos ao mesmo tempo em que assumem responsabilidades com os pais idosos. Essa realidade traz desafios sociais, “mas também evidencia um mercado crescente”, disse ela.

Patrícia trouxe uma reflexão sobre transformações demográficas: o Rio Grande do Sul tem mais idosos do que jovens e já ultrapassou a marca de 20% da população com mais de 60 anos. Esse envelhecimento rápido abre espaço para novas demandas sociais e econômicas.

O público 60+, lembraram as palestrantes, movimenta cerca de dois trilhões de reais por ano, consumindo praticamente os mesmos produtos e serviços que outras faixas etárias, além de setores específicos ligados a bem-estar, turismo, lazer e saúde.

“Esse consumidor é fiel, compra de forma recorrente e parcela menos, o que garante mais liquidez para o comércio em um cenário de juros altos”, destacou Patrícia.

Segundo ela, uma estatística recente mostrou que hoje, no Brasil, existem cerca de oito mil clínicas geriátricas ou de cuidados de idosos.

“Mas a estimativa de demanda seria de oitenta mil. Quando falamos de mercado para idosos, muitas vezes não compreendemos o tamanho dele. Pessoas com mais de 60 anos movimentam, por ano, cerca de dois trilhões de reais. E o que elas consomem? Tudo. Absolutamente tudo. Meu pai, por exemplo, até no Tinder está consumindo”, disse a economista.

Elas também chamaram atenção para a importância de repensar a experiência de compra, com foco em acessibilidade, atendimento de qualidade e integração entre gerações.

“Esse público está cada vez mais conectado, pesquisa avaliações online e utiliza ferramentas como o WhatsApp para comprar. É preciso olhar para isso com atenção, porque estamos diante de uma economia prateada em plena expansão”, concluiu Patrícia.

Rio Grande do Sul

O cenário econômico do Rio Grande do Sul foi abordado com destaque para os investimentos em energia limpa.

Giane citou iniciativas de empresas e cooperativas que apostam em combustíveis verdes, como o metano e o hidrogênio, além de projetos de biodiesel e do reposicionamento da refinaria de Rio Grande para produzir diesel verde, “atendendo a exigências internacionais de transporte sustentável”.

A jornalista também colocou em pauta o movimento do Estado em apoiar a instalação de datacenters e os recentes anúncios na área de tecnologia, como a doação de R$ 400 milhões para a criação de um instituto de formação em ciência da computação, e a instalação de um centro de competência em parceria com a Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) no novo prédio da Fiergs (Federação da indústria e Comércio do Rio Grande do Sul), voltado a tecnologias de fronteira.