Contratação de consultorias é foco da investigação sobre ISEV em Taquara

Instituto Vida foi responsável pela gestão do Hospital Bom Jesus entre 2016 e 2017.
Publicado em 31/08/2021 18:02 | Atualizado em 31/08/2021 18:06 Off
Por Vinicius Linden

A contratação de consultorias é o que levantou as suspeitas da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) e desencadeou a operação Tomentella, nesta terça-feira (31). Este tipo de prática foi adotada pelo Instituto de Saúde e Educação Vida (ISEV) na gestão do Hospital Bom Jesus, entre 2016 e 2017. A entidade foi afastada, em dezembro de 2017, justamente por suspeitas de irregularidades na casa de saúde. O afastamento foi determinado pela Justiça Federal.

A investigação da PF aponta que há problemas de prestação de contas e, em nota, os policiais destacaram a suspeita de desvios para o pagamento de despesas não autorizadas em proveito próprio e em favor de outras empresas, a título de taxa de administração e consultoria. Segundo reportagem do portal GZH, apenas em cinco meses de contabilidade, em 2017, o ISEV gastou R$ 520 mil com consultorias diversas.

A PF descobriu que uma das empresas contratadas, por exemplo, tinha como responsável um gestor público que atuava na Secretaria Estadual de Saúde. Este profissional trabalharia, justamente, como cargo em comissão no setor que cuida desse tipo de contratação pelas prefeituras.

O afastamento do ISEV do Hospital de Taquara foi tomado em dezembro de 2017 pelo juiz Nórton Luís Benites, da 1ª Vara Federal de Novo Hamburgo. Na ocasião, o magistrado disse que levou em consideração “o quadro de graves irregularidades na gestão” da casa de saúde. À época, o magistrado nomeou a Associação Silvio Scopel como gestora provisória do hospital. A entidade ficou no hospital até 2020, quando, em março, também saiu com uma série de problemas à frente da casa de saúde, dando lugar à Associação Vila Nova, que assumiu após um período em que o hospital ficou fechado.

Como o Instituto Vida chegou em Taquara

A chegada do Instituto Vida em Taquara se deu no contexto da saída do Sistema de Saúde Mãe de Deus da casa de saúde. A entidade havia assumido o hospital após o fechamento, pelo Conselho Regional de Medicina (Cremers), em 2008, reabrindo a casa de saúde em outubro de 2009. Até 2016, o Mãe de Deus ficou no hospital taquarense, mas uma série de desgastes acabaram provocando a saída da entidade.

À época, quando o ISEV foi apresentado em Taquara, o então presidente da entidade, Juarez Ramos dos Santos, disse que o Instituto ficou sabendo da notícia de que o hospital sofreu paralisações de atividades e, então, procurou o então prefeito Tito Lívio Jaeger Filho para conversar em relação à possibilidade de gestão da casa de saúde.

A questão da falta de licitação para a escolha do ISEV sempre foi um dos temas abordados na gestão do Instituto Vida. Logo na primeira reportagem sobre o assunto, o Jornal Panorama já registrava questionamentos a respeito do tema. O ex-prefeito Tito sustentou que o novo contrato não precisaria de licitação, pois seguiria os mesmos moldes do firmado com o Mãe de Deus.

Durante sua gestão, Tito sempre sustentou que a prefeitura é apenas proprietária do prédio do hospital. Mas, quem contrata os serviços hospitalares, sustentava o ex-prefeito, seria o governo do Estado. Por isso, Tito sempre alegou não ter ingerência sobre a escolha das entidades.

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