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CPERS anuncia dois dias de greve e intensifica mobilização contra PPPs na rede estadual de ensino

Diretora do 32º Núcleo do sindicato afirma que paralisações ocorrerão nos dias 16 e 23 de julho para contestar projeto do governo estadual que prevê parceria público-privada em 98 escolas
Simone Goldschmidt em entrevista à Rádio Taquara. Foto: Reprodução

O CPERS/Sindicato realizará dois dias de greve na rede estadual de ensino, nas próximas quintas-feiras, dias 16 e 23 de julho, em protesto contra o projeto do Governo do Estado que prevê a adoção de parcerias público-privadas (PPPs) para a administração da infraestrutura de 98 escolas estaduais. O anúncio foi feito pela diretora do 32º Núcleo do CPERS, com sede em Taquara, Simone Goldschmidt, durante entrevista à Rádio Taquara.

Segundo Simone, a decisão foi aprovada em assembleia geral da categoria e tem como foco a defesa da escola pública, e não reivindicações salariais. De acordo com ela, a proposta do governo prevê que empresas privadas assumam, por um período de 25 anos, serviços como vigilância, limpeza, manutenção e reformas das unidades escolares. A dirigente afirmou que o sindicato considera que a medida representa a transferência da gestão da infraestrutura escolar para a iniciativa privada com recursos públicos.

A diretora destacou que o leilão das escolas, inicialmente previsto para junho, foi adiado para 23 de julho, após mobilizações promovidas pelo sindicato. Conforme explicou, o CPERS questiona o modelo por entender que há pontos que necessitam de maior esclarecimento, como os valores previstos para a execução dos serviços, a terceirização de trabalhadores atualmente vinculados às escolas e a duração dos contratos. Ela também informou que o sindicato ingressou com ação judicial para contestar o processo.

Durante a entrevista, Simone afirmou que não há escolas da região de abrangência do 32º Núcleo incluídas na primeira etapa do projeto, que contempla unidades de 15 municípios gaúchos. Apesar disso, disse que a entidade acompanha o tema por considerar que o modelo poderá ser ampliado futuramente para outras localidades.

Como parte da mobilização, o 32º Núcleo promoverá uma atividade pública na quinta-feira, dia 16, a partir das 15h, na Praça Marechal Deodoro, em Taquara. Segundo a dirigente, haverá distribuição de material informativo e uma roda de conversa para esclarecer a população sobre a posição do sindicato em relação às PPPs. Já no dia 23, a categoria participará de um ato em Porto Alegre, data em que está previsto o leilão das escolas na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.

Na entrevista, também foi mencionado que o governo do Estado defende que o projeto não prevê a privatização das escolas, nem a cobrança de mensalidades ou a demissão de professores, argumentando que a parceria busca garantir a manutenção da infraestrutura das unidades ao longo do tempo. O CPERS, por sua vez, sustenta que a iniciativa representa um processo de privatização da gestão da infraestrutura escolar e mantém posicionamento contrário à proposta.