
Ao longo desta semana, as oficinas culturais dos Festejos Farroupilhas do Paranhana 2025 estão proporcionando às crianças da rede municipal uma imersão no universo do tradicionalismo gaúcho. A programação reúne atividades práticas que unem aprendizado, cultura e diversão, despertando o interesse dos pequenos pela história e pelos costumes do Rio Grande do Sul.
Logo no início da tarde, Renan Lamb abriu as atividades com a oficina de guasqueiro, explicando o processo de preparo do couro de diferentes animais, bovinos, equinos, ovinos e caprinos, para a confecção de utensílios essenciais às lidas campeiras, como arreios, botas, cintos e bainhas de faca.
Na sequência, o domador Flávio Melo entrou a cavalo e declamou o poema “Paisano”, de Luís Menezes, em uma apresentação que chamou a atenção da gurizada. Em sua oficina, destacou a conexão entre o gaúcho e o cavalo, comparando-a à mitologia do centauro, como se o animal fosse uma extensão da identidade campeira.

A tradição do chimarrão também esteve presente. A 3ª Prenda Juvenil, Isadora Pohlmann Lemos, do CTG Essência Gaúcha, de Taquara, ministrou a oficina que apresentou a história da erva-mate, desde os povos indígenas até a chegada dos europeus, além de ensinar as crianças a preparar a bebida símbolo do Rio Grande do Sul.
Outro ponto alto foi a oficina de laço e o esperado passeio a cavalo, que encantaram os estudantes. Entre eles, Lucas Soares, da Escola Lauro Hampe Müller, viveu a experiência pela primeira vez.
“Foi bom. No início fiquei um pouco assustado, mas depois me acostumei. Os tios ficaram comigo e me ajudaram. Eu nunca tinha andado de cavalo antes, mas mudei bastante de andar”, contou.
Semeando a tradição
De acordo com a organização, cerca de 2.500 crianças participam das oficinas ao longo da semana. Para Camila Engelmann, da Associação dos Amigos dos Festejos, o maior objetivo é aproximar os pequenos da tradição gaúcha e plantar a semente do gosto pelo tradicionalismo.
“Quando as crianças vivenciam essas experiências, elas acabam levando as famílias junto e fortalecendo todo o movimento cultural”, destacou.
Ela revelou a experiência preferida das crianças:
“Com certeza, o passeio a cavalo é a atividade que as crianças mais memorizam. Muitas voltam no ano seguinte lembrando: ‘Ano passado foi tu que puxou o cavalo para mim’”.

Camila também lançou um olhar para a sensação de pertencimento e tradição.
“Elas se sentem pertencentes dentro da cultura gaúcha. Esse é o nosso maior objetivo: que as crianças consigam encostar na tradição e realmente vivenciar isso”.
Sobre como as oficinas culturais contribuem para a preservação da tradição gaúcha e incentivam a participação das novas gerações, Camila destacou:
“Muitas crianças acabam procurando os CTGs e piquetes depois de participar das oficinas, e, quando isso acontece, as famílias também se envolvem, fortalecendo todo o movimento tradicionalista. Hoje, inclusive, adolescentes que no passado participaram como alunos já estão à frente de oficinas, como a de vaca parada e de chimarrão, garantindo a continuidade do evento através dessa nova geração”.
As oficinas culturais são realizadas pelos Festejos Farroupilhas de Taquara, em parceria com a Prefeitura e a Secretaria de Educação, que auxiliam no transporte e na alimentação dos estudantes.




