
O boleio do laço, o conhecimento da lida campeira, a maestria da dança tradicionalista e o hábito de se tomar chimarrão são passados de geração em geração nas décadas de existência do Centro de Tradições Gaúchas (CTG) O Fogão Gaúcho.
Por volta de 1942, a organização surgia a partir de uma confraria de amigos, liderada por Olavo de Carvalho Freitas, jurista da região. As reuniões aconteciam em um sobrado, na Rua Tristão Monteiro, próximo aos Correios, em Taquara.
Ao final da tarde, moradores se reuniam ao redor de um “fogãozinho”, utilizado para esquentar a água do mate. Ali os assuntos eram colocados em dia, com prosas, conversas e comunhão. Em 7 de agosto de 1948 a criação da entidade foi oficializada. O nome foi dado em homenagem ao instrumento que aquecia, além da água, o coração dos gaúchos.

O CTG O Fogão Gaúcho torna-se o segundo a ser fundado no Brasil e o primeiro do interior do Estado. Segundo o patrão Auro Paulo Sander, desde então “ele vem sendo esteio e protagonista de todos os acontecimentos do Movimento Tradicionalista”.
Em junho de 1961, a sede social, construída para este momento, recebeu o 8º Congresso Tradicionalista, o primeiro a ser realizado dentro de um Centro de Tradições Gaúchas. Durante o evento, foi redigida a Carta de Princípios, conjunto de normas que rege o movimento, em todo o Brasil, há anos.
Com o passar do tempo, a comunidade foi envolvendo-se cada vez mais com o trabalho realizado pelo CTG. Theodoro Dias Flocki, de apenas 3 anos, é peão da invernada Pré-mirim e concorreu a Piazito Dente de leite. “Ver os olhinhos do nosso filho brilhando quando ele escuta o som da música faz toda a diferença. Ele tenta imitar os peões maiores e isso traz uma grande alegria”, relata a mãe, Graziela Dias Flocki.

Para Cláucia Ferreira da Silva, O Fogão é um espaço cheio de representações. “Eu me sinto muito honrada em voltar a esta casa que me acolheu desde a época da juventude”, diz lembrando dos bons momentos vividos no CTG.
O trabalho arranca sorrisos, dos menores aos mais desenvoltos. Pais e mães atípicos também fazem parte da grande família tradicionalista e contam o quão importante é o papel inclusivo da instituição.
Luciana David é mãe atípica da Luiza, que com apenas 3 anos já carrega o título de Bonequinha de Galpão. “Eu tinha muito medo de que a Luiza não gostasse do tradicionalismo, não se sentisse bem. Para minha grata surpresa, ela adora participar dos ensaios”, comenta.

Os anos de história mostram que o CTG O Fogão Gaúcho deixa marcas no coração dos taquarenses. Ele faz parte da cultura e do espírito da cidade, propagando ainda mais os costumes gaúchos às novas gerações. O vice patrão, Júlio Bartzen de Araújo complementa os relatos, afirmando que o CTG continua “sendo um núcleo cultural e local importante para Taquara”.


