Independentemente de cada religião, existe o tom em comum de Deus em todas elas, de que existe um plano de vida para cada um de nós, que denominamos como destino. Que nossa fração pequena de vida aqui na Terra nos leva até o certame de que, claro, seremos alguém, teremos nossa profissão, nosso enamorado, nossa família, nossa roda de amigos, nossa cidade que escolheremos para morar, enfim, a vida linda e perfeita que tanto buscamos, e lutamos para acontecer. Quando se é jovem, turbilham as chances de ser quem queremos, as fantasias se depositam em nossos sonhos, e como em nossa juventude nossos sonhos sempre são mais fortes, mas almejados, brilham nos olhos de todo jovem. Todo jovem? Menos para duzentos e quarenta e tantos jovens, crianças, adolescentes ainda. Nem viram a vida começar, desabrochando para suas profissões, suas vidas em comum na sociedade, seus amores, descobertas, mais sorriso que lágrimas, vigor e força, determinação, coragem, benevolência; mais puros, cristalinos, pedras preciosas para um futuro melhor, para fazer a diferença no mundo.
Um cataclisma aconteceu nesse dia 27 de janeiro de 2013, às 2h30min da manhã em Santa Maria, nessa boate. Um ato de terrorismo, um massacre, uma matança, não sei como definir, de tão cruel o que aconteceu, as palavras às vezes perdem sentido quando queremos colocar a dor do coração para tentar definir o que passa nessa hora. Esses adolescentes morreram, foram massacrados pela ganância, pela irresponsabilidade. Existem, sim, fatores em conjunto que fizeram tudo isso acontecer, fatalidade, talvez sim, talvez não, ninguém é dono sequer da razão e da verdade, o que temos que colocar em evidência é o quanto frágil é a nossa vida perante consequências que deixamos de lado. Não nos preocupamos, pois achamos que fatalidade acontece com as outras pessoas. Atinge o de lá, nunca o de cá.
Deus, se existe mesmo esse plano, deve estar desesperado para levar de uma só vez tantas pessoas boas. Foram para o céu esses jovens, ricos de futuras profissões, de vida, de planejamento. Nunca planejamos deixar algo pela metade, sempre queremos deixar tudo pronto, mas como deixar a nossa vida pronta pra morte? Oramos juntos, sofremos juntos, repartimos a dor, não a dor corporal, mas a dor da nossa alma. Em lágrimas, mesmo que calados, nosso rosto arde em dor e sofre com essas vidas perdidas. Se Deus fez um plano para essas pessoas, esses jovens, que seja a seu lado; faça-os anjos agora, fazendo valer a esperança ai no céu de um futuro perfeito até o reencontro de seus entes queridos para dizer: “Nossa esperança não foi curta para a vida, foi para sempre eternizada”.
Kleber de Medeiros
Webdesigner, de Taquara


