
Foto: Vinicius Linden
Um curta-metragem que valoriza o dialeto Hünsrick, falado por descendentes de imigrantes alemães na região, será lançado nesta quarta-feira (26), às 19h, no Centro de Eventos Prefeito Selson Flesch, em Igrejinha. Intitulado “Nossa Fala no dialeto Hünsrick”, o filme é fruto de um projeto idealizado pela professora Liege Brusius e pelo videomaker Ramon Lopes, com apoio da Lei Paulo Gustavo.
A produção de cerca de 20 minutos reúne histórias de seis famílias da região, retratando seu cotidiano e a maneira como o idioma ainda é utilizado no ambiente familiar, especialmente em áreas rurais. Entre os personagens está um morador de 99 anos, que compartilha suas memórias e hábitos. Todas as falas em dialeto estão legendadas e há também tradução em Libras, tornando o conteúdo acessível.
A ideia de registrar o dialeto surgiu da preocupação de Liege com o desaparecimento gradual da língua, que era amplamente falada em sua infância. “É uma herança que a gente precisa preservar”, afirmou a professora, que se dedica atualmente à promoção da cultura germânica. O videomaker Ramon Lopes destacou a importância do projeto por dar protagonismo a pessoas comuns e criar um registro para as futuras gerações.
Durante a entrevista ao programa Painel, da Rádio Taquara, os realizadores explicaram que a produção enfrentou desafios, como a tradução do Hünsrick, que não possui versão digital em ferramentas como o Google Tradutor. Segundo eles, o trabalho de edição envolveu cerca de seis horas de gravações, condensadas em um filme de curta duração que mescla belas imagens e relatos emocionantes.
O Hünsrick é reconhecido como patrimônio cultural do Estado desde 2012 e, segundo dados citados na entrevista, é falado por cerca de dois milhões de brasileiros. Apesar de ainda presente em comunidades do interior de municípios como Igrejinha, Taquara, Parobé e Rolante, a língua vem sendo gradualmente substituída pelo português entre as gerações mais jovens.
Após o lançamento presencial, o curta será disponibilizado nas plataformas YouTube e Instagram, permitindo acesso mais amplo ao conteúdo. A exibição é gratuita e aberta ao público. Os organizadores convidam especialmente pais, avós e demais falantes do dialeto a comparecerem. “Pela primeira vez, o neto vai precisar da legenda, e o avô não”, brincou Liege, ao destacar a inversão geracional que o filme proporciona.


