
Do “Meu cinicário” – Ironia da lei de trânsito: quem não usa cinto de segurança no automóvel ser multado por um agente tripulando uma “seguríssima” motocicleta.
CUSCO EM TIROTEIO
Esta é novidade: usar um termo bem regional no meu texto. Mas é o que estou fazendo nesta crônica. Os gaúchos, em sua maioria, entendem o título de hoje e conhecem seu significado, pois é a metáfora para designar alguém desorientado, sem saber como agir. Basta imaginar um cachorro no meio dum tiroteio ou – evitando a violência – durante a comemoração da passagem de ano. Pois é como me sinto no meio dessa catadupa de informações sobre o vírus indutor da doença COVID-19. A gripe espanhola (minha mãe, nascida durante sua vigência, em 1918, falava nela) entre as muitas dúvidas quanto às suas origens, parece ter surgido nos Estados Unidos e não na Espanha. A pandemia, à qual muitos jornalistas teimam em aglutinar o adjetivo “mundial”, quando, pelo conceito moderno, o prefixo “pan” abarca o mundo inteiro, pois significa “todo” ou “tudo” (criando, assim, um pleonasmo vicioso) é, com mais certeza, oriunda da China. Dentro de alguns anos teremos algum nome bem popular para ela.
Por exemplo, vendo como se têm conduzido durante o desenrolar destes acontecimentos os nossos governantes, concluímos existirem duas correntes. O presidente da república, sempre enfático na negação ao uso da máscara protetora, para combater, profilaticamente, o citado vírus, se tornou um expoente na divulgação da hidroxicloroquina, remédio presente no mercado farmacêutico brasileiro há várias décadas. Isso despertou a fúria de seus adversários. Diziam não haver provas da eficácia científica da droga nesse combate. Chegaram a desejar-lhe a morte (uau!, esse, sim, foi um argumento impactante), quando anunciou estar infectado pelo vírus.. Doutro lado, o governador gaúcho, um dos defensores da quarentena e uso intensivo da máscara, também foi induzido a guardar repouso pela mesma razão que o presidente. Ao voltar, disse ter se tratado com o simples paracetamol. Ninguém lhe desejou a morte.
A verdade é que uma corrente prega a parada de toda a vida social e econômica da nação. A outra, argumenta com a inutilidade disso. E ambas sofrem os mesmos transtornos, com ou sem comprovação científica. Nesta parte entra o cusco – nós – sem sabermos o que fazer, ou para onde correr, perdidos no meio do tiroteio. Pelo menos, aprendemos nova palavra: “lockdown”!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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