Preocupado com a baixa cobertura de vacinação contra a poliomielite (paralisia infantil), o Ministério da Saúde lançou, nesta terça-feira (3), um alerta a 312 municípios que estariam com imunização de crianças abaixo de 50%. No Rio Grande do Sul, a lista inclui Taquara e mais 16 municípios. Contudo, a Secretaria de Saúde taquarense contesta a informação do Ministério e atribui a um desencontro de sistemas a falta de atualização nos números do governo federal. Segundo a pasta, em Taquara foram imunizadas aproximadamente 600 crianças em 2017, o que representa mais de 90% da meta estipulada.
As informações foram prestadas pelo secretário Vanderlei Petry, em entrevista ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara, na manhã desta quarta-feira (4). Segundo ele, durante todo o ano passado, a Secretaria alimentou os dados através de um sistema, mas o Ministério promoveu uma migração das tecnologias. Na mudança, houve um desencontro de informações. Segundo Petry, não teria ocorrido o “casamento” dos dados e, com isso, se perderam algumas informações digitadas.
Mesmo assim, o secretário frisou que Taquara procedeu a imunização das crianças e cumpriu as metas estabelecidas, tendo como efetuar a comprovação. Petry acrescentou, ainda, que, atualmente, Taquara já está trabalhando com o novo sistema do Ministério da Saúde e enviando as informações regularmente ao órgão do governo federal. A mesma situação, destacou o secretário, ocorreu em outros municípios gaúchos.
O Ministério da Saúde lançou o alerta para os municípios preocupado com possível retorno da doença. A paralisia infantil foi erradicada no Brasil desde os anos de 1990, sucesso que é atribuído às campanhas de imunização. O governo também ressaltou que, de 6 a 31 de agosto, ocorrerá mais uma Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite.
Ouça entrevista com Vanderlei Petry:
O que é poliomielite (paralisia infantil)
É uma doença causada pelo Poliovírus, que acomete mais frequentemente crianças com menos de 4 anos, embora também possa atingir adultos. Na maioria das vezes, os sintomas são considerados leves. Febre, dor de garganta, náusea, vômito, constipação e dor abdominal estão entre eles.
Ocorre que 1% dos infectados desenvolve a forma paralítica da doença, que a fez ganhar o apelido de paralisia infantil. Nesses casos, o vírus ataca estruturas do sistema nervoso ao longo do corpo todo, em geral as responsáveis pelos membros inferiores. Com isso, uma das consequências é a perda de movimento de uma das pernas.
Entretanto, é possível que esse ataque aos nervos afete músculos que fazem os pulmões trabalharem – aí o paciente desenvolve uma insuficiência respiratória, que exige o uso de máquinas para garantir o entra e sai de ar. Há casos que levam à morte.


