Este sábado, dia 27 de agosto, marcará uma data incômoda para os moradores do Vale do Paranhana, quando completará exatos três anos que o tráfego sobre a ponte do Rio dos Sinos, na ERS-020, em Taquara, está em meia pista. De lá para cá, foram várias reuniões e apelos feitos por autoridades locais ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER). Até agora, houve muita promessa, mas nenhum reparo na estrutura.
Os problemas na ponte foram causados em razão de um temporal que ocorreu no final de agosto de 2013 e que afetou várias cidades da região, com registros de enchentes e deslizamentos de terras. Duas rachaduras na ponte da ERS-020, em Taquara, chamaram a atenção de engenheiros e técnicos do DAER. O alto volume das águas do Rio dos Sinos prejudicou a estrutura, que, àquela altura, havia sido interditada para o tráfego de veículos superiores a duas toneladas.
À época, o Departamento também determinou que fosse utilizado o eixo central da pista para a passagem de automóveis, intercalando os dois sentidos, em velocidade até 30 quilômetros por hora. No início de setembro de 2013, um semáforo foi instalado para organizar o trânsito. A proibição do tráfego para caminhões e outros automóveis pesados durou mais de um ano, até que, no dia 14 de janeiro de 2015, uma manifestação promovida por transportadoras de saibro e pedras trancou a ponte. Pressionado, no final daquele mês, o DAER liberou a circulação de veículos com até 24 toneladas, o que se mantém até hoje.
O vereador taquarense Eduardo Kohlrausch foi o propositor de reuniões entre a autarquia e a comunidade local. Ao total, foram 18 encontros realizados na Câmara de Vereadores de Taquara e em Porto Alegre. Para ele, a inércia do Estado com o problema da ponte é um descaso. “Não há policiamento, não há controle nem fiscalização dos caminhões e pesos dos veículos que passam por ali”, denunciou, afirmando que “estamos esperando demais”.
O Ministério Público, através da 4ª Promotoria de Justiça de Taquara, ingressou com uma ação judicial contra o Estado e o DAER, em julho de 2015, pedindo que as obras iniciassem em 30 dias. A juíza Letícia Michelon fez referência a um relatório de uma empresa contratada pela autarquia, o qual concluiu que a ponte não poderia ser liberada ao tráfego nas condições em que se encontrava, e determinou o início das obras. A liminar, contudo, acabou derrubada pelo Tribunal de Justiça do Estado, que acatou recurso da autarquia.
Alguns problemas em razão da situação da ponte são apontados pelo presidente do Conselho Regional de Desenvolvimento (Corede) do Vale do Paranhana e Encosta da Serra, Delmar Henrique Backes. Os principais estão relacionados à falta de segurança vivida por quem trafega pelo quilômetro 45 da ERS-020. Backes destaca os assaltos ocorridos – foram pelo menos nove nos últimos três anos -, mas também se preocupa com a possibilidade de acidentes graves sobre a estrutura, uma vez que alguns motoristas, temerosos por aguardar a abertura do semáforo, fazem a travessia ainda com o sinal fechado. Outro ponto levantado por ele é em relação à economia da região, já que o transporte de cargas acima de 24 toneladas está proibido.
O principal entrave para iniciar os trabalhos na ponte, como lembra Backes, é a falta de verba do Estado para o investimento. O DAER previa aplicar R$ 5 milhões nas intervenções. No entanto, a autarquia informou à redação, através de uma nota remetida pela assessoria de imprensa, que, juntamente com a empresa projetista, “está adotando uma solução mais viável economicamente e tecnicamente, que permita a conclusão dos serviços em menor tempo e torne a ponte do Rio dos Sinos capaz de suportar cargas de 45 toneladas”. O processo licitatório para contratar a empresa que realizaria as obras estava em andamento até junho deste ano, mas foi adiado. Agora, novamente, não há mais prazos.
A reportagem completa sobre a ponte você confere na edição impressa desta semana.


