Daniela Maycá de Souza, 31 anos, é natural de Santa Maria. Casada com Fábio Alexandre Pedroso (33), tem duas filhas: Louise Maycá Pedroso (7) e Manuela Maycá Pedroso (1). Formada em fonoaudiologia, é soldado da Brigada Militar de Taquara.
Como se deu sua opção pela Brigada Militar e como a mulher é vista dentro da corporação?
Após me formar em fonoaudiologia, fiz alguns concursos e me interessei pelo da Brigada Militar. Aprovada, fiz o curso para soldado no ano de 2003, em Gramado. Conheci o trabalho, fui gostando e fiquei na área. Nem cheguei a trabalhar como fonoaudióloga. O fato de ser mulher não causou problemas de discriminação, o efetivo já está acostumado com as policiais femininas. O que acontece, ainda hoje, é um olhar de espanto das pessoas na rua.
Conte-nos sobre sua trajetória profissional.
Depois do curso de soldado comecei a atuar em Gramado e, em janeiro de 2004, vim para Taquara, onde estou há sete anos. Escolhi a cidade por ser mais parecida com Santa Maria, são dois municípios movimentados pelo comércio. Já em 2005 surgiu a vaga para o curso de instrutora do Proerd, programa que existe na Brigada Militar desde 2000. Fui indicada para o curso e, a partir daí, começamos o projeto em Taquara. Em seguida surgiram outras oportunidades, como a realização de palestras, e fomos ampliando as atividades. Hoje temos também o Quartel Legal e o Pelotão Mirim. Todos os projetos ocorrem graças às parcerias que conseguimos firmar.
O que representa para você realizar os programas comunitários da Brigada Militar?
No meu caso, muitas coisas da Brigada Militar eu conheci somente depois de participar do curso de soldado. Já o objetivo dos programas é fazer com que as crianças conheçam mais a BM, o funcionamento do trabalho, proporcionando esse contato. No tempo da ditadura o policial era muito associado à repressão, hoje é justamente ao contrário. Trabalhamos muito com a prevenção, e os projetos fazem isso – mostram para as crianças as oportunidades para que elas possam buscar um futuro melhor. Gosto muito de estar com as crianças e notamos que elas também gostam de estar com a gente. Foi através do Proerd que recebi dois prêmios em 2008: Destaque na Segurança Pública do Lions e o título de Cidadã Taquarense.
Quais são suas principais características pessoais?
Sou muito metódica, organizada e dedicada.
O que você gosta de fazer em suas horas vagas?
Ler, estar com a família, passear e fazer trabalhos manuais.
O que a tira do sério: injustiça.
Como conheceu seu marido e o que mais admira nele?
Nos conhecemos durante o curso de soldados em Gramado. Hoje o Fábio é sargento e eu sou soldado em Taquara. Em casa, por termos isso em comum, acabamos conversando muito sobre o trabalho, em relação aos projetos comunitários e ao planejamento. Já das ocorrências, evitamos falar. Lidamos com muito profissionalismo. O que mais admiro nele é sua determinação.
O que mais a preocupa na criação de seus filhos?
Em poder ensinar e construir com elas todos os valores para que cresçam sabendo o que é certo, para que depois consigam tomar as decisões sozinhas, sejam independentes e tenham uma vida plena.
Quais são seus planos para o futuro?
Em termos profissionais, pretendo continuar trabalhando com os projetos da Brigada Militar e ainda quero atuar como fonoaudióloga. Em relação aos planos pessoais, quero ver minhas filhas crescerem, poder proporcionar um futuro de boas escolhas para elas e que minha família continue unida.
Prato predileto: pizza.
Uma mania: enrolar o cabelo.
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