De portas fechadas
Circulando pelo centro de Taquara, onde o pequeno comércio predomina em estabelecimentos cada vez menores em caixas envidraçadas, me detenho diante de algumas lojas que ainda mantêm fachadas e atendimento mais tradicionais, além das raras vitrines atrativas.
Nada mais empobrecedor para uma cidade do que perder suas referências e sua capacidade empreendedora. Paradoxo compreensível para um município com poucas opções de trabalho para sua população, parcos investimentos em inovação e nenhuma diversificação industrial.
Resta-nos o comércio, que já foi o carro-chefe do desenvolvimento econômico desta cidade e da região, agora espremido em pequenas caixas que vendem de tudo um pouco. O setor de serviços é o que mais cresce, aparentemente ancorado pela oferta de profissionais autônomos instalados, principalmente, nas ruas centrais de Taquara.
Em comum, a aura de pujança que não existe mais em ruas e calçadas esburacadas, semáforos apagados, sujeira acumulada, descaso estampado em cada esquina, isso sem falar na falta de segurança que assombra cada cidadão.
Apesar disso, há os que persistem e aqui permanecem oferecendo o seu melhor para a comunidade, ainda que de portas fechadas. Mal necessário e incompatível com o verdadeiro espírito do comércio que, ressentido e acuado pela violência e desconfiança, atende seus clientes, agora, com as portas chaveadas.
Nem todos podem entrar, perguntar, sondar preços e até, quem sabe, comprar. O medo domina comerciantes e consumidores. Os clientes são os de sempre, os que podem entrar, os que certamente vão comprar ou os que são muito conhecidos. Lamentavelmente, há perigo na esquina.
E em conversas com um e outro lojista, compreendo a falta de alternativas para quem paga impostos exorbitantes e não pode abrir suas portas com segurança. Não há garantias para quem fica exposto na calçada, escancarando confiança. Bobeou, é roubado ou assaltado.
E se não trabalhar de portas fechadas, corre o risco de fechar o estabelecimento definitivamente. São caixas envidraçadas, lacradas, sepultando o nosso pleno desenvolvimento econômico. *RIP Taquara…RIP Brasil.
*RIP (Rest in Peace).
Roseli Santos
Jornalista, de Taquara
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