Polícia

Defesa de acusada no caso das gêmeas de Igrejinha critica Ministério Público por se opor a exame de sanidade mental

Advogado de Gisele Beatriz Dias questiona decisão do MP e afirma que integridade psiquiátrica tem sido usada contra a ré desde o início do processo
Foto: arquivo / Rádio Taquara

A defesa de Gisele Beatriz Dias, acusada pela morte das filhas gêmeas Manuela e Antônia Pereira, voltou a se manifestar publicamente nesta terça-feira (6) e criticou a postura do Ministério Público do Rio Grande do Sul por ter se posicionado contra o pedido de instauração de incidente de sanidade mental da ré. A manifestação foi feita pelo advogado José Paulo Schneider, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais.

Segundo Schneider, o próprio MP, que utilizou elementos psiquiátricos na denúncia contra Gisele, estaria agindo de forma contraditória ao se opor à realização de um exame médico que avalie a integridade mental da acusada. “A integridade ou a ausência de uma integridade psiquiátrica tem sido utilizada pela acusação contra Gisele desde os primórdios”, declarou o advogado.

A defesa sustenta que Gisele apresentou quadro de sofrimento mental antes das mortes, incluindo tentativa de suicídio e surtos psicóticos relacionados à morte de um filho mais velho, assassinado anteriormente. De acordo com o advogado, documentos médicos e declarações de profissionais apontam para um possível transtorno esquizoafetivo. “Ela apresentava comportamento indiferente com relação a todos, exceto ao filho falecido”, afirmou.

No vídeo, Schneider também menciona que a própria relatora do habeas corpus negado no Tribunal de Justiça citou a possibilidade de “desconexão com a realidade” e instabilidade emocional como fatores que poderiam ter contribuído para os fatos investigados. Mesmo assim, o pedido de realização do exame foi contestado pelo Ministério Público, o que, segundo o advogado, “fere o direito à ampla defesa”.

Ainda conforme a defesa, a investigação e o processo utilizaram laudos e observações de profissionais de saúde mental para fundamentar a prisão temporária e a posterior denúncia. Por isso, o advogado defende que o exame pericial solicitado é essencial para esclarecer se Gisele tinha plena capacidade de entendimento e autodeterminação no momento dos fatos.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul ainda não comentou publicamente a manifestação da defesa. O caso segue em fase de instrução no Fórum da Comarca de Igrejinha, que, recentemente, começou a ouvir as testemunhas do caso. Gisele está presa preventivamente desde outubro de 2024.