Andréa Nicotti, eleita a delegada mais bela do País em votação realizada através do site do programa Fantástico, da Rede Globo, relata a opção por sua profissão. Com 26 anos, duas pós-graduações e cursos de extensão, a delegada já foi juíza leiga e conciliadora nos Juizados Especiais Cíveis e concursada na Procuradoria Geral do Estado. Buscando se reinventar, ela se exonerou para cursar a Academia de Polícia.
Sobre sua participação no programa da Rede Globo, Andréa explicou que o convite se deu através de sua Delegacia Regional, que foi contatada pela emissora carioca. A delegada comentou que a direção do programa não havia avisado nada sobre a enquete do Fantástico. “Todas ficaram muito surpresas. Não esperava vencer, até porque considerava impossível uma delegada do interior do Rio Grande de Sul obter mais votos do que outras profissionais. Inclusive porque uma delas era estrela do quadro ‘Mulheres de Aço’, do canal GNT, e possuía muitos fãs”, ressalvou.
Sobre a repercussão do programa, dentro e fora da delegacia, Andréa disse que se tornou mais conhecida em Porto Alegre, onde mora, mas principalmente aqui em Taquara. “Devido à exposição feita através da imprensa, estou começando a controlar meu lado espontâneo e distraído de ser. Dentro da delegacia a repercussão foi muito boa, sempre tive o apoio de todos. Os agentes são os primeiros a me ligar elogiando as matérias. Fora da delegacia a resposta também foi imediata e positiva. Minhas caixas postais e mensagens do Facebook lotaram de meninas se dizendo motivadas, contando que fariam o curso de direito para seguir a minha carreira. Isso me emocionou muito”, disse.
Andréa diz que beleza não interfere na profissão
Questionada sobre a vaidade feminina, a delegada disse não se considerar excepcionalmente bonita e não ter maiores vaidades. Andréa ressaltou que seu trabalho, que consiste em ficar por 24 horas dentro da delegacia e sempre estar pronta para atuar, impossibilita estar sempre impecável. “Se eu fosse vaidosa, talvez isso atrapalhasse em alguns momentos, mas estou longe disso. O que abre portas não é a beleza, e sim a simpatia, o carisma e o respeito com que procuro tratar todos a minha volta”, descreveu ela, observando ainda que desde os seus 23 anos, aparentando ser atípica para o cargo, causou mais admiração e incentivos do que críticas e preconceito.
A delegada reconheceu que a primeira impressão que transmite às pessoas é a de vaidosa, mas que isto não condiz com a realidade. “Até procuro cuidar do visual, pois, em minha opinião, o cargo de delegada não permite uma aparência descuidada, já que lida diariamente com o público. Porém, não abro mão de comer doces e frituras. Não suporto academia ou esportes, não uso brinco ou qualquer acessório no dia a dia, além de não cortar meu cabelo há uns seis anos. Frequentemente estou com minha roupa suja, pois sempre brinco com meus cães”, descreveu. Outro ponto destacado por Andréa foi o assédio. A imprensa costuma fazer propostas diversas, mas sou orientada a sempre selecionar os veículos e tipos de matéria das quais aceito participar. Procuro conceder entrevistas apenas quando mais colegas também participam, para evitar holofotes em um cargo que, embora cause muita curiosidade e fascínio para o público, também exige uma certa cautela na exposição e discrição nas palavras. Embora eu saiba que nem toda mídia é positiva, é importante, até para a instituição, termos esse espaço para divulgar aspectos dos quais nos orgulhamos na profissão. O mais importante é percebermos essa evolução de mentalidade dentro da polícia, no sentido de valorizar o papel da mulher, não em detrimento da beleza, mas sim em consonância com ela, porque não deixamos de ser mulheres ou femininas apenas por exercermos o cargo de delegada”, finalizou.


