
Assumiu, na última segunda-feira (22), a Delegacia de Polícia (DP) e a Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), de Taquara, o delegado Valeriano Garcia Neto. Aos 48 anos, o novo titular da Polícia Civil taquarense se apresenta ao Município após uma passagem de quatro anos na 4ª Delegacia de Polícia Regional do Interior (4ª DPRI), de Alegrete.
Com 13 anos de atuação na Polícia Civil e, antes disso, 15 anos no Poder Judicário, Valeriano, que também é professor universitário – nas disciplinas de Direito Penal e Processo Penal – da Urcamp (Centro Universitário da Região da Campanha), se diz realizado na profissão.
“Hoje, eu me vejo realizado e percebo que, lá atrás, eu estava sendo preparado para vir trabalhar na Polícia, muito antes de querer ser policial. Nestes 13 anos, algumas lições muito importantes eu já carrego e a principal delas é ter a clareza que a grande virtude na atuação policial é encontrar o ponto de equilíbrio do profissionalismo sem endurecer o coração”, destaca.
Segundo ele, na polícia, os servidores lidam com a parte menos digna do ser humano e, não raro, trabalham com a dor dos seres humanos, a dor da vítima e de seus familiares. “Sendo este o nosso dia a dia nós não podemos, a pretesto de sermos profissionais, perder a sensibilidade de tratar certas questões com a atenção que elas exigem”, explica o delegado.
Integração da sociedade contra a criminalidade
Valeriano destaca que, desde que entrou na polícia, tem a concepção de que a segurança pública é interesse e obrigação de todos, e como delegado de polícia tem, além da missão de liderar as equipes da DP e DPPA de Taquara, trabalhar na construção de pontes de aproximação com seguimentos da sociedade que têm interesses comuns aos da segurança pública.
O delegado diz que, nesse sentido, se encontram “pessoas físicas e empresários que querem ajudar a segurança pública porque se sentem parte integrante dessa complexa engrenagem. Dentro desse aspecto, de humanização do nosso atendimento, eu ‘levanto a bandeira’ de que nós temos que valorizar e cuidar do nosso maior patrimônio, que são os profissionais de segurança pública. Por trás de um agente, existe uma família, uma mãe preocupada, um irmão atencioso e assim por diante. Dentro dessa dimensão eu vejo o cuidado que a gente tem que ter com o nosso servidor”.
O delegado Valeriano destacou que, a forma que tem de trabalhar é a integração e que, oportunamente, irá entrar em contato com os integrantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Poder Legislativo, Poder Executivo e com todos que estejam em prol da segurança pública, para que alinhem parcerias, pois sozinho não conseguirá fazer nada.
Trabalho na DPRI de Alegrete
De acordo com Valeriano Garcia Neto, dentre os crimes com maior incidência, em Alegrete, estava o tráfico e o abigeato. “O abigeato e crimes rurais são crimes muito sensíveis para a polícia. Tivemos a criação de uma delegacia especializada, a Decrab, com sede em Alegrete, para incrementar e realizar de uma forma exclusiva o combate a esse tipo de crime. Isso nos deu experiência e conhecimento para trazer algumas ações para cá, no sentido de proteger, não só a zona urbana, mas também a zona rural”, detalha.
Expectativas para o trabalho
Questionado pela reportagem sobre quais são suas expectativas em relação a Taquara e região, o delegado Valeriano afirma que espera poder melhorar as condições de trabalho da equipe e, através disso, dar respostas à sociedade frente aos crimes que mais incomodam, como o tráfico de drogas, homicídios e todos os desdobramentos que envolvem esses crimes.
O delegado destaca que o câncer da criminalidade não é o tráfico e sim o consumo que alimenta essa cadeia criminosa que resulta em roubo, latrocínio, homicídio, extorsão, estelionato e furtos. “No meu modo de ver, o tráfico não é o principal e mais importante crime. Porque, por trás do tráfico de drogas – e aqui não tenho medo de tocar em algumas feridas – o grande vilão é a demanda, é o consumo. O tráfico só existe porque tem o consumo”, avalia.
Conforme Valeriano, esse consumo é que tem que ser combatido e minimizado de uma maneira inteligente, investindo em educação. Esse é um plano de trabalho a médio e longo prazo em que o delegado afirma esperar encontrar, em Taquara, “parceiros de coragem”, para a implementação de políticas de trabalho para, daí sim, conseguir melhorar a condição de segurança de toda a população.


